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sábado, 20 de janeiro de 2018

Bem Sertanejo, O Musical

Legitimado pelo seu público que entende que a música é capaz de transpor fronteiras e transformar as diferenças em igualdades

Após curtíssima temporada na Cidade das Artes, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – “Bem Sertanejo, O Musical” torna-se matéria da Circuito Geral, presente no penúltimo dia de sua apresentação, em meio a uma casa lotada, em sua segunda sessão daquele sábado, dia 13 de janeiro de 2018.

A história da evolução da música sertaneja é contada em prosa e canto, dividida em dois atos – uma viagem em meio a cinquenta e seis canções que consagraram o estilo musical que nasceu como, simplesmente, caipira, desde o seu surgimento no campo até a sua consolidação nas grandes cidades – sob o poético olhar de Gustavo Gasparani que se debruça nesta produção como autor do texto e diretor do espetáculo. O lirismo que constrói a identidade de “Bem Sertanejo”, inspira o figurino de Marcelo Olinto, de mãos dadas à concepção do cenário videográfico de Gringo Cardia, que se permite assumir uma roupagem modernista brasileiro, a partir de um preciso e respeitoso domínio das imagens das obras de Tarsila do Amaral – um mais que merecido tributo àquela artista marcante da pintura e da primeira fase de um momento marcado pela efervescência de novas ideias e modelos, igualmente transportados para o palco. A quarta dimensão de uma generosa boca de cena é garantida pelo cromatismo e pela intensidade da iluminação cênica regida por Maneco Quinderé, em plena sintonia com o sempre tão dinâmico cenário de Cardia quanto se faz presente o trabalho corporal empregado nas coreografias de Renato Vieira.

Abrilhantando e impingindo um caráter apoteótico à essência do espetáculo, o cantor, compositor, multi-instrumentista e ator de Medianeira – PR, Michel Teló, em associação à empresa Aventura Entretenimento, assume o papel icônico em meio ao elenco de “Bem Sertanejo”, em um mais que estratégico resgate do breve quadro de sucesso de um consagrado programa televisivo, levado ao ar nos anos 2014 e 2015. Aflorando em meio a esse solo fértil composto por uma ficha técnica irretocável, os principais nomes da música sertaneja são homenageados - Angelino de Oliveira, Raul Torres, João Pacífico, Tonico e Tinoco, Tião Carreiro, Zezé Di Camargo e Luciano, Fernando e Sorocaba, Milionário e Zé Rico, Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó. Dentro desse universo, cativam a plateia os carismáticos personagens elencados por Alan Rocha, Cristiano Gualda, Daniel Carneiro, Gabriel Manita, Jonas Hammar, Luiz Nicolau, Pedro Lima, Sérgio Dalcin, Lílian Menezes e, apesar de visualmente, oculto ou em segundo plano, a imprescindível banda de Michel Teló que além de sua missão no acompanhamento das vozes que justificam o espetáculo, sutilmente, hora se define como elenco, hora como parte integrante do cenário.

Pérolas que exemplificam, de modo impecável, o orgulho sertanejo, e que expurgam qualquer atmosfera discriminatória entre o modo urbano de viver e o enraizamento do povo do campo, respeitosa e carinhosamente apelidada, caipira – Rodrigo Lima cantando ‘Romaria’ de Renato Teixeira e o resgate do trabalho agrário através da composição vocal de ‘Cio da Terra’ de Milton Nascimento e Chico Buarque – são responsáveis por levar o espectador do sorriso às lágrimas.

Sem a intenção de apresentar uma pura e simples dramaturgia, a superprodução "Bem Sertanejo" edifica um mega show, legitimado pelo seu público que entende que a música é capaz de transpor fronteiras e transformar as diferenças em igualdades.


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