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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Saudade


A condição metafísica do ser humano que vai muito além da saudade

Uma palavra com significado invulgar e cuja essência é extremamente palpável no âmbito filosófico ou quando da verbalização de sentimentos específicos. Sua existência é considerada como se um privilégio somente da língua portuguesa.

A partir dessas premissas, a direção de Paulo Caldas se empenha em decifrar o vocábulo saudade no documentário homônimo. Em simbiose com a direção, Pedro Sotero dá vazão ao seu olhar sensível e atento ao pano de fundo do documentário, com a sua fotografia fugaz e eminentemente próxima à sensibilidade em potencial de cada espectador.

A imersão sobre o significado da palavra é intrínseco aos convidados a depor suas impressões, que relatam um pouco de seus próprios históricos nos quais a palavra se encontra presente - Adriana Falcão,  Alex Flemming, Arnaldo Antunes, Déborah Colker, João Câmara, Johnny Hooker, Karim Aïnouz, Lira, Milton Hatoun, Nilda Maria, Ruy Guerra e Zé Celso são apenas alguns dos nomes que deixam no ar indagações como, por exemplo, “ser saudade o sentimento que aflora durante o tempo que se espera por alguém  ou aquele que toma conta da alma devido ao tempo da ausência daquele alguém”. 

A delicadeza e a poesia de "Saudade" o fazem inevidente acerca do tema, ao investir com sensibilidade, não somente pelos depoimentos apresentados especificamente sobre o vocábulo, mas sim na liberdade de expressão dos depoentes que, diante da demanda pela descrição de um sentimento tão complexo, expõem suas experiências, lembranças e impressões, divagando, com muita propriedade, sobre a condição metafísica do ser humano que vai muito além da saudade.



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