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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Um Casamento Feliz


A conjuminação da adaptação e tradução de Flavio Marinho e da direção de Eri Johnson rende um punhado de bons momentos de descontração e de divertimento a partir do espetáculo comédia “Um Casamento Feliz”.

A história, de autoria dos escritores franceses Gerald Bitton e Michel Munz – “Le Gai Mariage”, conta a tramoia na qual Henrique (Eri Johson) e Dodô (Renato Rabelo) – dois amigos heterossexuais e solteiros convictos – se casam, sob o conselho de Roberto (João Lima Jr.) - um terceiro amigo advogado – para que Henrique possa fazer jus à herança milionária de sua excêntrica tia Carola que, em seu testamento, demanda que o sobrinho se case e, assim permaneça, pelo prazo de, pelo menos, um ano. O plano parece perfeito – exceto pela iminência da visita de um oficial de justiça que deve comprovar a veracidade da união, da intrusão do hiper-católico e homofóbico pai de Henrique (Raymundo de Souza) na trama e da ameaça da composição de um triângulo amoroso, junto a Henrique e Dodô, por Elza (Rayanne Morais).

No palco, a química entre os cinco atores em meio a mentiras e males entendidos promove um balé onde o humor define a coreografia bem marcada, sem apelação e que promove a manifestação genuína de uma plateia que comparece ao teatro em busca de momentos de prazer.

A concepção cenográfica de Léo Shehtman desenha uma sala de estar – que ocupa toda a boca de cena com um acesso ao exterior e outro ao interior do, aparentemente, compacto apartamento – cujos revestimento e adereços, facilmente cambiáveis, definem, com sutileza, duas etapas distintas que marcam o desenrolar da história. O básico figurino de Martina Guenthe compõe os personagens e traça o estilo de cada um, com ênfase à caracterização do personagem Dodô, como o hilário “porquinho Bartolomeu”, através da qual Rabelo cativa a plateia e extrai gargalhadas dos espectadores que se entregam a emoções que os remetem a manifestações infantis. O clima intimista do apartamento é garantido pelo desenho de luz de Hery Araujo que não se propõe a evidenciar mais do que o necessário, mas a garantir uma boa acuidade visual do espectador e a suave definição das passagens de cenas.

Não só o machismo, o preconceito e a misoginia servem como pano de fundo de “Um Casamento Feliz”, mas também a evidente demonstração da aceitação das diferenças por parte de uma plateia que tem lotado a casa de espetáculos e que retorna ao lar com o semblante suavizado pelo humor e com um bônus da salutar reflexão sobre o “se vale tudo por dinheiro”.

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