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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Três Anúncios Para um Crime


A cegueira da paixão, a falta de percepção da realidade e o silêncio da razão


Sete meses após a morte de sua filha e a ausência de qualquer ação concreta investigativa por parte da polícia local, Mildred Hayes (Frances McDormand) aluga três outdoors instalados na na mesma estrada deserta, nas proximidades onde sua filha fora assassinada, contemplando palavras de ordem através das quais tenta mobilizar a população local, questionando o desempenho da polícia, e chamar a atenção do próprio delegado da cidade – Bill Willoughby (Woody Harrelson) e demais autoridades, para a tragédia que envolve a sua família.

Com base nesse argumento, “Três Anúncios Para um Crime” discorre sobre a cegueira da paixão, a falta de percepção da realidade e o silêncio da razão. A inflamada direção de Martin McDonagh manipula, com maestria, esses desvios emocionais que vão de encontro à redenção debaixo de fúria, à descrença, à perversidade e ao sarcasmo – como mera consequência comportamental e não como solução dos fatos causadores daqueles distúrbios emocionais. A aniquilante atuação de Frances McDormand gera imediata empatia da personagem junto ao espectador – no que diz respeito à iniquidade através da qual se permite viver – que acolhe, como se natural o fosse, a sua forma de fazer com que a justiça saia da sua zona de conforto, provando o quanto a humanidade pode fracassar em suas “verdades” absolutas.

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