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quinta-feira, 8 de março de 2018

Os Farofeiros


Uma comédia repleta de clichês, estereótipos voltados para o público saudosista e adepto das chanchadas de fácil assimilação e fomentadoras do riso fácil

Quatro colegas de trabalho se cotizam para passar o Réveillon, juntamente com suas famílias, em uma casa de praia. O destino seria Búzios, não fosse, de fato, Maringuaba. A casa, minimamente, em petição de miséria, dista da praia na mesma proporção de sua lotação por uma horda capaz de causar vergonha alheia ao mais recatado dentre os incautos observadores de tamanha falta de modos. Um drible improvisado na situação, para que o feriado da passagem de ano não frustrasse, ainda mais, as expectativas de cada um dos personagens de “Os Farofeiros” – longa sob a despretensiosa porém, perspicaz direção de Roberto Santucci, capaz de farejar uma fórmula para arquitetar uma bem sucedida bilheteria às custas de uma comédia repleta de clichês, estereótipos voltados para o público saudosista e adepto das chanchadas de fácil assimilação e fomentadoras do riso fácil.

Um mix comportamental é definido pela encarnação da malandragem, da simplória e da pseudo honestidade, da ingenuidade, da confiança, da discórdia dramática e da boy magia, sem qualquer cerimônia para chafurdar em piadas homofóbicas, sexistas e machistas, sem estrutura ou fluidez, mas empenhado na confecção de um retalho das relações sociais e familiares, com zelo desconcertante para com as classes sócio econômicas, de modo a justificar frases preconceituosas. Tudo isso em prol do humor intolerante, imaturo e realisticamente nítido, definindo-se tanto como implacável sitcom, quanto como impiedosa comédia humana e seus grotescos personagens, cientes das dificuldades de seu cotidiano, de manter seu trabalho, de não ser reconhecido pelo que faz, de contar moedas para completar a passagem do transporte público, de garantir seu emprego e de aproveitar a vida enquanto ela se esvai ao tentar oferecer o mínimo de dignidade para os seus filhos.

Longe de ser um filme medíocre – muito pelo contrário, “Os Farofeiros” preenche os 103 minutos de ócio dedicados ao lazer com momentos de identificação de um público em potencial consigo mesmo ou com algum conhecido, em situações nas quais o luxo pode se manifestar na companhia de amigos para um churrasco em dia de futebol e na esperança de que o dia seguinte será, possivelmente, melhor.

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