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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Aos Teus Olhos


Em plena contemporaneidade incômoda, quando um culpado para os males sociais se faz necessário, o longa mergulha, inquietantemente, no claustrofóbico início que nunca chegará a termo

Terreno movediço - a dubiedade que desponta das contradições humanas no âmbito social. A ampliação dos indícios de uma possível injustiça ao retratar a história de um professor de natação infantil, sob suspeita de assédio, ao ser acusado pela mãe de um aluno de tê-lo abraçado e beijado a sua boca - segundo ela, declarado pela própria criança.

Debruçando-se na dramaturgia do catalão Josep Maria Miró – 'O Princípio de Arquimedes' – Carolina Jabor, através de uma direção coercitiva, recheia o seu novo longa "Aos Teus Olhos" com perguntas esquivas que se alteram, constantemente, a cada um dos noventa minutos de seu tempo narrativo.

O espectador é conduzido à manipulação de fatos, ao livre arbítrio nas redes sociais, a indignações seletivas, à privacidade imaginária em meio a uma sociedade em constante atrito com o individualismo.

O polido tratamento dedicado ao multifacetado diálogo que distende, sem nenhuma sutileza, a indeterminação da veracidade que, em rota de colisão com o espectador, explode indeciso e de maneira irascível diante de seus olhos – um espectador que anseia pelo suposto acerto de contas, como um jurado em um tribunal, onde a “moral social” é o juiz que exalta a fúria em seu veredicto, baseado em suposições que lhes parecem óbvias.

Em plena contemporaneidade incômoda, quando um culpado para os males sociais se faz necessário, o longa mergulha, inquietantemente, no claustrofóbico início que nunca chegará a termo.



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