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terça-feira, 3 de abril de 2018

O Homem das Cavernas


Esmaece frente às demais obras do gênero, oferecendo ao público uma história estruturada por um argumento gratuito e sem espaço para o engajamento imaginativo


Em um momento em que a imaginação não tem limites no universo das produções animadas, os visuais exuberantes concebidos a partir de potentes roteiros desenhados para crianças, adolescentes e adultos correm o sério risco de se perderem diante da menor permissividade e opção pelo humor mediano, simplesmente pelo fato equivocado de uma animação ter como alvo, o público infantil. A alfabetização visual, narrativa e moral dessas animações é repleta de detalhes que podem passar desapercebido pelo público infanto juvenil, mas não podem perder a oportunidade de oferecer a aquele grupo de espectadores, cada vez mais antenado, a dignidade ser tratado como composto por indivíduos pensantes e complexos, não obstante de seu status de classificação de faixa etária livre.

Amparado por essa visão, “O Homem das Cavernas” – esmaece frente às demais obras do gênero, oferecendo ao público uma história estruturada por um argumento gratuito e sem espaço para o engajamento imaginativo.  O resultado de tamanho esforço, enquanto arte de modelagem em argila e técnica cinematográfica quadro-a-quadro é uma comédia sem inspiração motivadora, contemplando mensagens anti-sexismos desestimulantes e embasadas em convicções emocionais naif de tal forma a prender a atenção de bebês capazes de se distraírem e se sentirem admiradas com imagens e cores. No centro das atenções, a aurora da civilização protagonizada por Dug – um homem das cavernas que faz parte de uma tribo de ineptos que encontra dificuldade, até mesmo para garantirem a sua subsistência através da caça e que vê a sua tranquilidade interrompida quando civilização mais desenvolvida invade o vale no qual Dug e os seus habitam.

A direção de Nick Park é escassa em lógica narrativa com efeito sonífero tão forte quanto uma canção de ninar, por mais inadequadas sejam para tal prática, as poltronas ergonomicamente confortáveis instaladas nas atuais salas de cinema.

O grau de previsibilidade de “O Homem das Cavernas” evidencia-se na tentativa de promover algo coerente e justo ao público ao qual se destina, ou seja, aqueles que saem de situações ruins através das forças combinadas pela sorte e pela imprudência - uma aposta às cegas no imprevisível ou um desserviço de ensinamento aos pequenos seres em fase de crescimento e de formação moral.


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