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terça-feira, 17 de abril de 2018

Quase Memória



“Quase romance” ou uma “quase lembrança”, deixando o terreno imaginativo “quase pantanoso”



Baseado no romance homônimo de Carlos Heitor Cony, o longa “Quase Memória” funde uma narrativa atemporal que transita entre a emissão do Ato Institucional número 5, em 1968 e a morte do piloto brasileiro de Fórmula 1, Airton Senna, em 1994.

A partir desses fatos, a circense direção de Ruy Guerra define dobras no tempo sem qualquer lampejo de esperança – quando a loucura, a ilusão, os fragmentos da memória, o choque de realidade, o esquecimento, a alienação, a ditadura, a fuga do consciente, os traumas e a sobrevivência ganham camadas de teatralidade, picardia, excentricidade, sarcasmo, inocência e humor. Guerra tem  a seu favor o performático elenco protagonizado por um Tony Ramos – interpretativamente condenado na estrutura do velho Carlos – diante de um subversivo Charles Fricks – aprisionado no jovem Carlos. Ambos ambientam um universo psicológico que permite o encontro do jovem com o velho, quando este recebe um estranho pacote, envolto em um nó, acompanhado por um envelope endereçado e cuja grafia somente poderia ser imputada a seu pai, morto há anos.

Essa obra de Guerra que, ao parecer tratar das escolhas feitas durante uma vida que se refletem na velhice, tocam o espectador mais sensível de maneira poética e transcreve as lembranças do protagonista com um “quase romance” ou uma “quase lembrança”, deixando o terreno imaginativo “quase pantanoso”.


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