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terça-feira, 17 de abril de 2018

Submersão


Impressiona diante da sua abordagem sobre a necessidade de amar, mesmo quando a escuridão em que mergulha a solidão, torna-se o terceiro elemento de uma relação, seja ela social, humana, sexual, política, científica ou religiosa

Uma adaptação do romance do ex-correspondente de guerra J.M. Ledgard – conta a história de amor entre uma bio-matemática e um suposto engenheiro da água, satisfatoriamente interpretados por Alicia Vikander e James McAvoy. Sob o título de “Submersão”, o mais recente longa de Wim Wenders leva às telas uma produção cinematográfica, rica em simbolismo global, discorrendo sobre assuntos que permeiam por entre o meio ambiente e aspectos ligados ao “jihad” - termo árabe que se traduz em luta, esforço ou empenho e que pode ser considerado um dos pilares da fé islâmica, defino por deveres religiosos visando ao desenvolvimento do espírito da submissão a Deus.

Em meio a esse universo temático, eclode um romance não convencional, traçado por caminhos divergentes, que definem a separação dos protagonistas durante grande parte do filme, dando lugar a lembranças, a palavras e à certeza de que o amor e a paixão nem sempre recompensam as partes envolvidas. Wenders compensa a provável ironia do destino ao apresentar os personagens já mergulhados em seus sentimentos, onde a atração súbita é tão poderosa que faz com que o espectador, definitivamente, acredite no amor à primeira vista. O roteiro, equivalente à mortalidade presente no filme, conta com a concepção de iluminação cênica crucial, em alguns momentos, totalmente esmaecida, como uma tentativa de aprofundamento nas memórias do casal romântico e de fazer com que os espectadores acreditem que aquela experiência amorosa é tão poderosa quanto a luz do dia.

O ciclo de qualidade que envolve “Submersão” impressiona diante da sua abordagem sobre a necessidade de amar, mesmo quando a escuridão em que mergulha a solidão, torna-se o terceiro elemento de uma relação, seja ela social, humana, sexual, política, científica ou religiosa.



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