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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Todo Clichê do Amor


O desfecho não entrega o produto por inteiro, sendo delegado a cada um dos espectadores a montagem de um quebra-cabeças sem que percebam, durante um bom tempo da projeção, que são convidados para uma tarefa de raciocínio lógico e surpreendente, acrescido pelo legado, sob a forma de questionamento


“Clichê” – palavra que se tornou sinônimo de tudo o que já foi objeto de repetição excessiva e que perdeu a originalidade.

O particular olhar da direção do ator, cineasta, escritor e dramaturgo paulista Rafael Primot projetado no seu mais recente longa – “Todo Clichê do Amor” – aquece o coração ao compartilhar espaço com a estrutura predominante das comédias românticas. Primot se aproveita dos lugares comuns, nada revolucionários, para contar três histórias com um suave frescor de genialidade, tendo em comum triângulos amorosos formados por – duas amigas e um jovem tímido; uma madrasta e sua enteada velando o falecido marido e pai, respectivamente; um homem separado de seu verdadeiro amor, um ator pornô e sua mulher prostituta que sonha em dar à luz. Histórias que se entrelaçam sem a obviedade linear da intercessão de núcleos de personagens de origens distintas.

A qualidade da ficha técnica mesclada com os clichês dispostos de maneira eficiente por Primot, não cai na mesmice. O desfecho não entrega o produto por inteiro, sendo delegado a cada um dos espectadores a montagem de um quebra-cabeças sem que percebam, durante um bom tempo da projeção, que são convidados para uma tarefa de raciocínio lógico e surpreendente, acrescido pelo legado, sob a forma de questionamento, do que há de tão equivocado na adoção de clichês. 

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