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domingo, 29 de abril de 2018

Um Baile de Máscaras


Sem abandonar o estilo sustentado pela atmosfera trágica que conduz a uma fatalidade predestinada, a ópera, segmentada em três atos, teatraliza um amor proibido, interrompido por um desfecho inexorável

Uma coprodução do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com o Kiel Theater - Alemanha abre a temporada lírica de 2018, no dia 27 de abril, com “Um Baile de Máscaras” - de autoria do compositor de óperas do período romântico italiano – um dos mais influentes do século XIX - Giuseppe Verdi.

Encenada pela primeira vez no TMRJ há cem anos, a obra-prima romântica de Verdi chega ao público com nova roupagem, em versão multimídia. A revolucionária e futurística concepção do diretor Pier Francesco Maestrini transporta a ópera para um cenário de grande impacto visual, por meio da projeção de imagens assinadas peli videomaker Juan Guillermo Nova. A atual versão mantém inalteradas as relações entre os personagens, sem perder de vista a coerência narrativa. O espetáculo, aclamado em sua estreia mundial em janeiro deste ano, oferece aos espectadores, a oportunidade de conhecer o estado da arte das apresentações em palcos internacionais.

A ópera é uma adaptação de Verdi, em parceria com o libretista Antonio Somma, da obra de autoria do dramaturgo francês Eugène Scribe – Gustave III, trazendo à luz dos fatos, historicamente inexatos, o assassinato do rei da Suécia, defensor do despotismo esclarecido, em 1792, pelas mãos de conspiradores políticos, durante um baile de máscaras.

Após passar por um processo de sucessivas censuras, o até então projeto de Verdi transfere a trama da corte sueca para uma colônia inglesa nos Estados Unidos, transfigurando o rei Gustave III no abnóxio Riccardo – conde de Warwick e governador de Boston. Sem abandonar o estilo sustentado pela atmosfera trágica que conduz a uma fatalidade predestinada, a ópera, segmentada em três atos, teatraliza um amor proibido, interrompido por um desfecho inexorável.

I Ato

Durante uma audiência no palácio, Riccardo, ao rever a lista de convidados do seu próximo baile de máscaras, se mostra feliz ao constatar o nome da mulher a quem ama –  Amelia, esposa de seu assessor de confiança Renato. Ao final da definição da lista, Renato se apresenta a Riccardo e o alerta sobre uma tentativa de conspiração contra ele – aviso esse que não desperta atenção por parte do conde. Em seguida, sua jovem pajem Óscar lhe informa que a cartomante Ulrica acabara de ser acusada de feitiçaria. Se por um lado Ulrica é defendida por Óscar, por considerá-la inofensiva, outros exigem a sua condenação sob a pena de exílio. A pedido de Óscar, Riccardo parte em rumo à habitação da vidente, disfarçado de pescador, para fazer o seu próprio julgamento.

Invocando seus poderes, Ulrica profeta o futuro do marinheiro Silvano que, segundo ela, será promovido e será contemplado com riquezas. Dissimuladamente, Riccardo coloca uma nota de promoção e um punhado de ouro no bolso de Silvano, que se regozija ao constatar e se convencer das habilidades da vidente, da mesma forma que os habitantes de Boston.

Amelia também procura Ulrica para compartilhar, com a vidente, o tormento causado pela sua paixão proibida por Riccardo, que se esconde com a entrada de seu amor naquela cabana. Para aplacá-la de seu transtorno, a vidente orienta Amelia ir em busca de uma erva mágica, aventurando-se ao ar livre, sob o manto da noite.

Após a partida de Amelia, Ricardo entrega a sua mão a Ulrica para que lhe seja previsto o seu futuro. Lhe é dito, pela vidente, que ele será morto pelas mãos de pessoa de sua confiança e que se revelará através da primeira pessoa a lhe dar um aperto de mão - o que é feito, em seguida, à entrada de Renato. Contrapondo a lealdade de seu amigo à predição da vidente, Riccardo declara Ulrica estar errada. Naquele momento, cai seu disfarce de pescador e sua verdadeira identidade é revelada, levando os habitantes de Boston a exaltá-lo.

II Ato

Tomada pelo medo, na escuridão da noite, Amelia busca a erva mágica de modo a aplacar o seu amor por Riccardo que, surge inesperadamente e, incapaz de controlar seus sentimentos, a abraça, levando ambos à manifestação de sua paixão mútua. Nesse ínterim, Renato surge diante dos dois amantes, informando a Riccardo sobre a vinda de conspiradores prontos para matá-lo.  Mas antes mesmo de ser reconhecida, Amelia oculta seu rosto com um véu, por sua vez encaminhada a Renato, a pedido de Riccardo, para que este a acompanhe, em segurança, para Boston, sob a condição de que seu véu não seja, em hipótese alguma, removido. Em seguida, desaparece na escuridão. No entanto, antes de chegaram ao seu destino, o casal é confrontado pelos conspiradores, fazendo com que Amelia tome a decisão de revelar-se mulher infiel, removendo o véu de sua face.

III Ato

Renato e Amelia brigam sob a ameaça do marido de matá-la, devido à desonra provocada pela sua infidelidade levada ao conhecimento de todos. Amelia lhe implora ver seu único filho antes de sua morte e sai de cena. Renato chega à conclusão de que deve matar Riccardo em vez de sua esposa, junta-se ao grupo de conspiradores e informa a Samuel e a Tom que planeja matar o conde. A decisão de quem assumirá a papel de matador fica por conta de uma disputa definida pela sorte, dentre os nomes de Samuel, Tom e Renato. Quando do retorno de Amelia à cena, seu marido a obriga a sortear um nome dentre os três depositados em uma urna – Amelia sorteia o nome de Renato, tomando-o de grande satisfação.

No baile de máscaras, informações involuntárias sobre a fantasia de Riccardo por parte de Óscar fazem com que Renato identifique o conde mascarado. Riccardo, ao se encontrar com Amelia, declara sua decisão de pôr um ponto final naquele amor impossível – quando, então, é apunhalado por Renato.

Antes de seu suspiro final, Riccardo confessa a Renato que, não obstante do seu amor pela esposa de seu leal companheiro, os juramentos de fidelidade ao casamento, feitos por Amelia, nunca haviam sido quebrados. Riccardo perdoa Renato e os demais conspiradores antes de morrer e pede a todos do condado que não alimentem sentimentos de vingança pela sua morte.



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