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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ilhada em Mim – Sylvia Plath


Submergindo pelos recortes de vida de Sylvia e delineando a melodiosa narrativa, ao atuar, como uma preparação, para o trágico final que conduz à liberdade após o cativeiro por um anjo exterminador

Uma bolha vazia cognominada vida à deriva em meio a um mar estéril – uma breve mas adequada visão da essência do espetáculo “Ilhada em Mim – Sylvia Plath”, sob o olhar explorador passivo do espectador diante de uma instalação viva que estimula, em especial, as sensações auditivas e visuais, em meio a uma densa atmosfera surrealista Magritteana.

Um alívio existencial, protagonizado intensamente pela poeta Plath, sob o manto do escapismo, como a única solução perene para um problema, aparentemente, efêmero. A direção de André Guerreiro Lopes confronta a plateia com o absurdo e a faz degustá-lo nos moldes por ele concebido, através de uma cenografia fronteiriça que confronta o eu e o outro em um polimorfismo contraditório e encharcado de significados inconquistáveis. O terror do vazio que estimula o voo para a liberdade é materializado por Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes, nos papéis de Sylvia e Ted Hughes – marido e mulher que enfrentam a ausência da certeza com brilhantismo bizarro que traduz a delicada dramaturgia de Gabriela Mellão que, a partir dos escritos pessoais de Sylvia Plath, se mostra capaz de familiarizar o espectador com poemas aos quais, por alguma casualidade, nunca fora exposto. De braços dados com o projeto cenográfico de Guerreiro Lopes e complementando a sua concepção pictórica das cenas que retratam as ideias da protagonista, se fazem necessários o preciso desenho de figurino, assinado por Fause Haten, e a luminotecnia cênica, cuja paleta de cores, ora banha cenas como se uniformemente cromatizadas, ora transita entre o vigor dos claros e escuros e a penumbra capaz de levar o espectador ao mundo dos sonhos, mesmo que um tanto que sufocante. A direção musical de Gregory Slivar é generosa ao compartilhar sua trilha incidental com a paisagem sonora – tão sutil enquanto gotejamento, transbordamento, derramamento – submergindo pelos recortes de vida de Sylvia e delineando a melodiosa narrativa, ao atuar, como uma preparação, para o trágico final que conduz à liberdade após o cativeiro por um anjo exterminador.

Oportunamente, o aprofundamento de “Ilhada em Mim – Sylvia Plath” na clareza dos sentidos vem ao encontro da busca da consciência existencial e da compreensão de algumas atitudes conflitantes, para aqueles que nunca mergulharam nas profundezas de seu ser.

Circuito Geral - Ilhada em Mim – Sylvia Plath

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