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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos

Torna impossível a capacidade de enxergar e, ao mesmo tempo, se manter cego - exemplificada pela a vida e escolhas equivocadas de muitos que nascem com o sentido da visão em perfeito estado, mas que não abrem mão da conveniência da cegueira voluntária


Vitório (Edson Celulari) – um homem casado, dono de uma pizzaria e pai de uma adolescente – é o típico cidadão que vive a sua vida, dela captando suas mensagens pelo tato, pelo olfato, pela audição e pelo paladar. Dessa forma, mantém o total controle do seu dia a dia, sem a necessidade de enxergar a luz ou a imagem daqueles que o cercam, pois sempre fora um deficiente visual. Dado instante, seu sogro descobre um tratamento para a sua cegueira e, com isso, conquista o apoio unânime de todos ao seu redor, uma vez que também acreditam que a reversão do quadro do deficiente é de suma importância para sua vida.

A açucarada história do longa “Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos” excede por sua delicadeza e não explica a desconstrução sustentada pelo diretor Paulo Nascimento, que torna impossível a capacidade de enxergar e, ao mesmo tempo, se manter cego - exemplificada pela a vida e escolhas equivocadas de muitos que nascem com o sentido da visão em perfeito estado, mas que não abrem mão da conveniência da cegueira voluntária. 

Como um melodrama monocromático que visa à inclusão dos deficientes visuais, a mensagem fotográfica contida em cada cena torna-se um forte aliado. Contudo, conquistar a liberdade exige carga considerável de auto suficiência e o protagonista não parece entender o real sentido dessa condição - a valorização de cada momento da vida e a compreensão de que aqueles contemplados pela acuidade que capacita os seus cinco sentidos, também são sujeitos a sentirem sua liberdade cerceada.

Caso pudessem ter autonomia sobre suas escolhas e sobre o seu próprio corpo, entenderiam que não se tratam apenas de indivíduos isolados, mas parte de um grupo de pessoas que também são afetadas por tamanho egoísmo, com a opção de fecharem os olhos quando necessário e abri-los somente por opção.


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