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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Desobediência


Uma sóbria avaliação da insalubridade religiosa

Um célebre rabino da comunidade judaica ortodoxa de Londres sucumbe ao término de seu sermão sobre o livre-arbítrio, onde fala de anjos, bestas e os únicos seres que são ‘livres para escolher’ – os humanos. Sua filha, uma fotógrafa de Nova York, volta para aquele universo imutável de sua infância, que há muito tempo deixou para trás, tendo que ser alvo dos olhares de parentes e de velhas amizades, e constatar, de forma dolorosa, que seu pai, declara, em seu testamento, não possuir herdeiros, deixando a casa, o seu único bem, como herança para a sua comunidade, ignorando os direitos de sua filha de sangue.

A modelagem do assunto pela direção de Sebastián Lelio permite um aprofundamento da análise sobre as maneiras com as quais as sociedades repressivas enquadram o gênero feminino, através da história de amor entre duas mulheres – uma paixão proibida, aflorada na adolescência, que promove uma sóbria avaliação da insalubridade religiosa. Contudo, a inércia assumida pelo roteiro não permite que a temática tome rumos, minimamente conclusivos, fazendo de “Desobediência” uma experiencia frustrante e desanimadora, conduzida por personagens perdidos em seus dilemas frente à ‘liberdade’ e às suas ‘escolhas’.

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