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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Hereditário


O espectador que, apesar de não enxergar uma luz no fim do túnel, mantém-se em estado de atenção e de forte expectativa durante as duas horas de projeção


Uma mulher casada, mãe de dois filhos, maquetista por profissão – após a morte de sua própria mãe, torna-se insegura quanto à sua vocação como cuidadora de seus filhos e estranhamente perturbada para com o seu relacionamento familiar. Entre símbolos pagãos, invocações e sessões com velas, o ocultismo se apresenta à sombra e não define a essência da história que, lentamente, derrama no espectador algo pungente, não explícito, mas os conflitos presentes dentro dos núcleos familiares –  partir dos quais perseguem-se os responsáveis pelas causas de problemas e por distorções morais, sejam os componentes daquele núcleo , divindades, demônios, ou algo qualquer, mesmo incapaz de ser identificado.

A desconfortante direção de Ari Aster domina todo o longa – manipula os personagens com requintes de crueldade, da mesma forma que o faz com o espectador que, apesar de não enxergar uma luz no fim do túnel, mantém-se em estado de atenção e de forte expectativa durante as duas horas de projeção, que retrata uma doutrina horrorosa e terrível, que passa de geração em geração, como um maldito gene dominante que mina as relações e destrói qualquer vestígio de crescimento em comum.

A crueza ameaçadora do iniciante Aster na direção demonstra a frenética vontade de acertar e inovar em um gênero que já se encontra convalescendo há um tempo considerável e que ganha carga de fôlego em “Hereditário” – por seu aflitivo esforço na tentativa de subtrair dos fãs de filme de terror, o marasmo ou, jargonescamente falando, tirá-los da sua zona de conforto.

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