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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Martinho da Vila 8.0 | Uma Filosofia de Vida


Pouco contribui para com a potencialização do tributo ao primeiro sambista a conquistar o disco de diamante pela venda de mais de um milhão de cópias


Discorrer sobre a pluricultural vida de Martinho da Vila é evocar as forças ancestrais dos orixás, é descrever sua fé, é exaltar a sua comunidade e a sua família. É levar a identidade cultural do artista a um público que anseia conhecer e se permitir ser aliciado pela chamada de um espetáculo, que se propõe a homenagear o sambista, classificado pelas mídias de divulgação cultural, ora como espetáculo musical – gênero teatral que combina música, canções, dança, e diálogos falados ; ora como musicado – que transcorre ao som de música, muitas vezes, com o desempenho vocal de um ou mais integrantes do elenco.

O lado obscuro de divulgações como essas fica por conta do uso de palavras ambíguas para adjetivar um espetáculo biográfico-jornalístico-iconográfico em um momento de proliferação dos musicais nos teatros do eixo Rio-São Paulo, induzindo o espectador desinformado ao erro – como ocorre com “Martinho da Vila 8.0 | Uma Filosofia de Vida”, baseado em um livro de autoria do protagonista – “Memórias Póstumas de Teresa de Jesus”.

A extensa produção videográfica, sem muito aprimoramento, a partir de registros extraídos da obra do homenageado, pela direção de William Vita, é responsável pela condução da história, da sabedoria, das lições e dos valores do artista, que acaba se sobrepondo ao simplório texto assinado por Ana Ferguson e Solange Bighetti, cuja dramaturgia é timidamente desempenhada pelo elenco composto por Nill Marcondes, Victor Hugo, Junior Vieira, Ana Miranda e Babi Xavier.

A iluminação de Marlon Ribeiro e Mariana Pitta pouco contribui para com a potencialização do tributo ao primeiro sambista a conquistar o disco de diamante pela venda de mais de um milhão de cópias – muito provavelmente, pelo fato de não terem sido contemplados números em que o canto e a coreografia demandassem um caráter apoteótico ao espetáculo, por mais reservado que o seja – promovendo uma ambientação equivalente à mínima necessária para se escutar Martinho da Vila a partir de um toca-discos, à meia-luz, na Santa paz do lar.

Acompanhando a falta do aprimoramento conceitual e da estética temática, a cenografia e de Ana Paula Lopes cumpre seu papel funcional, dentro de uma zona de conforto suficiente a ponto de contentar os olhares menos exigentes. O figurino, também de responsabilidade de Lopes, não poderia ser mais elementar porém, retratando a forma despretensiosa e genuína com que os personagens se apresentam na vida real. Com aparente simplicidade, contida na análise de uma complexa e diversa realidade histórica do artista, o visagismo de Vavá Torres contribui para com a representação de imagem conceitual estruturada, através da caracterização de cada personagem.

O Circuito Geral - sob a ótica do espectador, decepcionado quanto às suas expectativas relativas ao espetáculo em comparação ao espetáculo propriamente assistido, vale a pena recorrer à matéria publicada em 6/12/2015, na coluna do  jornalista, apresentador de televisão e escritor brasileiro, Amaury Jr., na página Band.com.br, sobre a crítica de ‘enredos sem mensagem’ por Martinho da Vila – que justifica a bronca do artista para “com enredos que fazem mera exaltação, sem contar algo mais para a reflexão do público”.

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