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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Mulheres Alteradas



Reconfigura, de maneira aparentemente proposital, a caricata visão descolada do lugar da mulher na sociedade contemporânea



Regado de muito bom humor, um seleto rol de problemas cotidianos, que parecem ser exclusividade do gênero feminino, é tratado no longa “Mulheres Alteradas” – inspirado nas HQs homônimas da cartunista argentina Maitena Burundarena. Embora o título possa sugerir que o longa tenha assumido uma abordagem totalmente direcionada às mulheres, uma expressiva legião de marmanjos se entregará à atmosfera hilariante promovida pelas situações criadas pelas protagonistas, interpretadas por Deborah Secco, Alessandra Negrini, Monica Iozzi e Maria Casadevall.

 A adoção dos diálogos nos moldes dos quadrinhos de Burundarena, pela direção de Luis Pinheiro, reconfigura, de maneira aparentemente proposital, a caricata visão descolada do lugar da mulher na sociedade contemporânea, ao explorar a perspectiva feminina por meio das personagens divididas entre os afazeres domésticos, o desenvolvimento profissional, o convívio com o marido, a dedicação à família e, sobretudo, a falta de satisfação contemplando as suas rotinas.

 A obcecada realização profissional como meta de vida, a crise no relacionamento entre marido e mulher, o tédio em meio à rotina familiar e a falta de relacionamento afetivo e de perspectiva de construção de seu próprio núcleo familiar como fator de exclusão social são dramas vivenciados por cada uma das personagens que remetem a situações muito semelhantes capazes de serem identificadas pelos espectadores como sendo parte de suas próprias vidas – fazendo cumprir, “Mulheres Alteradas”,  o papel de comédia inteligente e salutar.


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