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terça-feira, 10 de julho de 2018

Todo Dia


Arrisca em lançar holofotes sobre a ideia de que a essência de um ser não deve estar, obrigatoriamente, ligada à sua aparência física

‘A’ – um ser que, a cada raiar de um dia, toma posse de um corpo diferente, assume uma nova vida, se insere em um núcleo social distinto em localidades geográficas diversas. Por um dia inteiro, ‘A’ se apropria da vida de indivíduos que jamais se lembram do que com eles ocorreu, desde o momento em que foram possuídos por ‘A’.  Findo o ciclo de possessão de vinte e quatro horas, a criatura ignora quem será o próximo indivíduo cujo corpo ocupará, mas, somente, que terá, como ele mesmo, dezesseis anos de idade. Durante uma de suas possessões, ‘A’ conhece a estudante Rhiannon (Angourie Rice) por quem se sente atraído. Rhiannon, por sua vez, acredita desfrutar do melhor dia de sua vida, ao assumir o rapaz possuído por ‘A’ como sua paixão colegial. Mas a partir do fato de que ‘A’ pode permanecer no corpo de uma pessoa somente por vinte e quatro horas, o possessor em série busca arrumar subterfúgios para manter seus encontros com Rhiannon, tomando para si o corpo de outros indivíduos, independentemente de seu gênero.

Baseado no livro homônimo de David Levithan, “Todo Dia” é um longa teen contemplando argumentos complexos – em alguns momentos, abordando oportunas questões filosóficas sobre identidade de gênero, causa LGBTQ+ e saúde mental. Contudo, a história se perde na adaptação de Michael Sucsy que complementa a narrativa com furos impertinentes e clichês dispensáveis – mesmo levando-se em conta o roteiro de Jesse Andrews, que se arrisca em lançar holofotes sobre a ideia de que a essência de um ser não deve estar, obrigatoriamente, ligada à sua aparência física.

Ao sondar a natureza humana, “Todo Dia” se desfaz ao longo de sua projeção, permitindo que, quem não leu o livro, acredite que a protagonista não passa de uma adolescente esquizofrênica e, sem provocar empatia por ‘A’, tira do espectador o grande barato de imaginar a suposta aparência do espirito flutuante, segundo suas próprias crenças e histórias de vida.

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