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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas


O longa constrói o seu principal objetivo – fazer as diversas gerações de espectadores rir de si mesmas e fazer com que não se levem tão à sério

Para os não iniciados, os Jovens Titãs são personagens animados do universo DC – irreverentes por excelência – mais precisamente, pertencentes à Liga da Justiça, dentre os quais, o mais conhecido e ridicularizado é Robin – o ex ajudante de Batman – cujas desventuras são conhecidas no Cartoon Network.

Durante quase noventa minutos de metanarrativa e de muita diversão, o longa “Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas” potencializa as dificuldades dos pequenos semi heróis de conquistarem a sua própria franquia cinematográfica, agravadas após serem barrados na estreia do filme “Batman Again”, onde todos os VIPs – incluindo o protagonista, Superman e a Mulher Maravilha, dentre outros – marcam a sua presença no maior lançamento do ano. Cansados de constatar sua tamanha insignificância diante do público, os Jovens Titãs retornam no tempo e reescrevem as principais histórias de todos os grandes heróis, na esperança de que, com isso, o mundo atual passe a contar com o quinteto como a única esperança de proteção do planeta Terra.

A inteligente direção de Aaron Horvath e Peter Rida Michail alternam muito bem a vertente naïf e as grandes sacadas visando ao público com quilometragem rodada no mundo HQ, sem entediar crianças e adultos, mas garantindo o equilíbrio demográfico tão difícil em se tratando de animação direcionada ao grupo infantil.

Longe de ser um filme projetado para garantir comentários ao seu final, o longa constrói o seu principal objetivo – fazer as diversas gerações de espectadores rir de si mesmas e fazer com que não se levem tão à sério – mesmo que, em breves devaneios por suas vãs filosofias, possam se considerar, mesmo que por um dia, um pouco mais do que meros auxiliares de seu super-herói preferido.


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Minha Futura Ex


Tem muito mais a dizer ao público e fazê-lo pensar do que fazê-lo gargalhar


Com a promessa de despertar fortes emoções, o matrimônio passa a falsa impressão de que autoriza àqueles que se curvam ao seu apelo, não levá-lo tão à sério, omitindo, nesse velho ritual, não haver lugar para fantasias quando os incautos despertam em um universo onde o contraditório é o resultado final. Essa insuportável e insustentável verdade é compartilhada por um casal na vida real, ao mesmo tempo personagens fictícios no espetáculo “Minha Futura Ex” que, sem evitar as armadilhas e desarmando o lúdico do relacionamento à dois, Agnes Xavier e Hélio Zachi definem, de forma precisa, a diferença entre a felicidade e a insatisfação dentro de um elevador que para de funcionar, no momento em que os personagens incorporados por ambos saem de casa para assinar os papéis do divórcio. Dessa forma, a iluminação cênica necessária à visibilidade do palco a partir da plateia – ou seja, permeabilidade de visão de fora para dentro – passa a ser entendida como escuridão total dentro do ascensor, demandando do casal de atores, além da exímia capacidade de convencimento frente ao expectador, sobre a crise conjugal que vêm atravessando por tantos anos, um preciso controle do foco de seus olhares limitados às paredes, ao teto e ao piso do cubículo onde se encontram – salvo os poucos minutos quando o breu é sangrado pela chama de um isqueiro ou pelo facho de uma lanterna de bolso.

A avalanche de sentimentos e ressentimentos que pululam no palco causa calafrios na plateia, uma vez estabelecida uma relação Orwelliana entre espectadores e personagens, tendo como ponto de fuga a cenografia de Francisco Leite, concebida segundo padrões estéticos minimalistas capazes de convergir os olhares atentos do público para o interior do elevador enguiçado. Tão estático quanto o ascensor, um enorme relógio marca a paralização do tempo durante o qual o relacionamento passa a ser discutido entre as partes, antes mesmo que a separação seja levada a termo no escritório de advocacia – destino do casal interrompido pela pane do equipamento de circulação vertical.  Tão objetivamente quanto a concepção do cenário, Leite desenha um figurino que dispensa legendas – definindo o marido apaixonado, inconformado com o pedido de separação e a esposa frustrada, decidida pelo divórcio – qualificativos plenamente correspondidos pelo desempenho e interação de Zachi e Xavier face às suas vestimentas, respectivamente. Sob a classificação comédia através da qual se camufla, “Minha Futura Ex” tem muito mais a dizer ao público e fazê-lo pensar do que fazê-lo gargalhar – sutileza levada a cabo pelo desenho de luz de Demétrio Nicolau que, além de cumprir seu papel funcional, assume a responsabilidade de definir o que está por detrás dos momentos em que o casal se permite ao diálogo sincero e aberto e aqueles em que se entregam ao combate verbal. Com a mesma sensibilidade que Nicolau pincela cenário e atores com sua paleta de luz, o lighting designer se entrega à leveza da trilha sonora, também de sua autoria.

O texto de Lina Rossana Ostrovsky revela os enganos assumidos como verdades anteriormente ao casamento, que se tornam o mal necessário que sustenta a paixão diluída pela acomodação involuntária, em meio à rotina do convívio sob um mesmo teto. Fiel à vertente definida por Ostrovsky, a direção de Rogério Fabiano se apropria, a ferro e fogo, da instituição do casamento e a compartilha com o público como  um instrumento de busca da felicidade, mas sem a menor garantia de que seja para sempre sem o empenho dos envolvidos.


“Minha Futura Ex” vai além de uma bem-humorada história de um marido e de uma esposa presos no elevador, onde lavam a roupa suja acumulada durante o seu relacionamento conjugal. O espetáculo contempla o potencial de promover a sensação de um passeio em um trem fantasma durante o qual, os casais ou aqueles que desejam se tornar a metade de uma laranja, e que se encontram na fila de espera daquele “brinquedo”, ouvem gritos do pavor e das gargalhadas do medo que estão prestes a vivenciar ou com os quais já convivem, até que o destino se encarregue da separação, seja pelo motivo que for, em algum momento de suas vidas.



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto


Na tentativa de inovação das origens, o diretor perde a essência e o potencial do terror contido na lenda

A primeira grande lenda urbana da web ganha um filme – segundo se sabe, criada por um americano do estado da Flórida em 2009, que a concebeu para um concurso, à imagem de um homem alto, muito magro, com pernas e braços extremamente alongados e, sem rosto, a qual batizou com o nome de Slender Man. Descaradamente inspirada nos personagens de Stephen King, o personagem sai da internet e ganha vida no mundo real, jurado por muitos já tê-lo visto em aparições no Japão e na Noruega.

Infelizmente, o longa “Slender Man: Pesadelo Sem Rosto” não consegue agregar o fator credibilidade à lenda – muito porque, a história da maligna criatura na rede seja bem mais instigante e apavorante do que Sylvain White tenta promover com sua benevolente direção. White deixa de lado as perversidades contidas na versão da lenda datada de 2014 quando, no estado americano de Wisconsin, duas adolescentes esfaqueiam, até à morte, uma colega de escola, por acreditarem que o homem esguio e sem rosto aniquilaria suas famílias, caso elas não lhe fossem leais.  Ao contrário, ao espectador é apresentada uma história ambientada em uma pequena cidade em Massachusetts, sobre quatro amigas que, em uma noite fatídica, decidem convocar o fenômeno da internet, provocando o desaparecimento de uma das jovens. Dias após o pânico é instaurado a partir da invasão dos sonhos das outras três, assombrados pelo homem esguio e sem rosto, alterando a percepção da realidade das adolescentes com imagens assustadoras e sons desagradáveis.

Apesar dos esforços de White na tentativa de inovação das origens, o diretor perde a essência e o potencial do terror contido na lenda, deixando o espectador vulnerável a ponto de ter seu sono invadido e assombrado pelo Slender Man – lamentavelmente, em plena sala de projeção.  

Circuito Geral - Slender Man: Pesadelo Sem Rosto

Benzinho



Convence, ao enquadrar a família em questão em um plano crível aos olhos do espectador

O dia a dia de uma mulher, enfrentando sentimentos diversos em uma dinâmica familiar imposta quando se tem filhos – os seus, tidos por ela mesma, como personagens centrais de sua história – em uma conflitante dificuldade financeira que habita o seio daquela família. Na eminência de ter o seu primogênito se lançando à sorte como jogador de handebol na Alemanha, a mulher se vê em meio a um dilema – assumir o estado de felicidade pela eventual conquista daquele filho ou se contentar com seu desejo secreto de que ele permaneça em casa.

O longa “Benzinho” convence, ao enquadrar a família em questão em um plano crível aos olhos do espectador. A independência contida na direção de Gustavo Pizzi se faz responsável pela composição de cada detalhe que separa o arrependimento de mãe pelo egoísmo materno, o que transforma o filme em uma história de amor psicologicamente perturbadora diante de uma verdade – os filhos são feitos para o mundo, não importa o quanto e o que foi investido na realização da fictícia benção divina, travestida em dar à luz uma criança.


Meu Ex É Um Espião


Uma empolgante e divertida comédia


Uma mulher que acredita ter sido dispensada por seu namorado e que chora as suas amarguras com a sua melhor amiga, descobre que o seu ex é, na verdade, um espião, que lhe pede para que complete a sua missão secreta antes de ser abatido a tiros por seus perseguidores assassinos.

A partir desse prólogo, Audrey (Mila Kunis) e Morgan (Kate McKinnon) partem para a Europa e se envolvem em tiroteios sequenciais, perseguições de carros clássicas e fugas frenéticas que eletrizam o longa “Meu Ex É Um Espião” – sob sólidos roteiro e direção de Susanna Fogel, capazes de coreografar ação e comédia, com ritmo diferenciado, inseridas em filmes de espionagem produzidos de acordo com a sua receita tradicional.

Sem mistérios sofisticados e conclusões improváveis em seu enredo desnorteado, Fogel faz de “Meu Ex É Um Espião”, uma empolgante e divertida comédia.

Escobar: A Traição


Penetra no lado sombrio do traficante, transportando para as telas do cinema, seus assassinatos violentos que deixam para traz, qualquer tentativa de romantizar sua trajetória, mesmo que de forma idealista

A história da carreira do maior traficante de cocaína dos anos 1980 é contada a partir do ponto de vista de sua amante, Virginia Vallejo – apresentadora de notícias e a autora do  best seller “Amando Pablo, Odiando Escobar”, baseado no qual foi produzido o longa “Escobar: A Traição”.

O ator espanhol Javier Bardem – interpretando o notório traficante – e a atriz Penélope Cruz, esposa de Bardem na vida real – incorporando Vallejo, amante de Escobar – preenchem as lacunas das cenas entrecortadas e desarticuladas sobre a ascensão e queda do homem brutal e vingativo mas que, em seu núcleo familiar, comportava-se como um filantropo responsável pela construção de habitações para os pobres.

A violenta direção de Fernando León de Aranoa penetra no lado sombrio do traficante, transportando para as telas do cinema, seus assassinatos violentos que deixam para traz, qualquer tentativa de romantizar sua trajetória, mesmo que de forma idealista, em prol da cumplicidade política que fez, de Pablo Escobar, o ícone do crime organizado.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O Grelo em Obras


Uma grata surpresa dentre os espetáculos do gênero cujo clímax se manifesta em uma catarse a partir da voluntariedade do público

Ao comemorar os vinte anos de jornada, iniciada em 1998, o grupo ‘O Grelo Falante’ tenta erradicar o machismo tóxico que, em pleno ano de 2018, incomoda os que ainda vivem do significado de ser ‘menos’ homem ou ‘menos’ mulher e exalta aqueles que defendem a necessidade de dar espaço, respeito e igualdade a todos, independentemente de seu gênero.

A partir de uma reação contra resistentes fragmentos da evolução dos costumes, dos entraves religiosos, da atrofia cultural e das distorções entre hierarquia social e desigualdade de gênero, o espetáculo “O Grelo em Obras” lança uma lente de aumento na desigualdade presente nos direitos e deveres entre homens e mulheres, denunciando o estigma da superioridade do gênero masculino sobre o gênero feminino. De forma ativa, três mulheres fazem valer suas vozes ao explicitar seus desejos, suas frustrações e a reviravolta à qual se propõem para firmarem a sua individualidade, à despeito de qualquer sugestão de demérito, seja pela prepotência, seja pelo descaso do sexo oposto.

A envolvente direção de Fabiano de Freitas transmite intensa repulsa e menosprezo à hostil agressividade contida na exclusão seletiva do sexo feminino por parte de homens e, até mesmo, por parte de mulheres machistas, em meio aos movimentos pela igualdade de gêneros. Longe de qualquer apologia ao femismo, o elenco composto por Carmen Frenzel, Claudia Ventura e Lucília de Assis não se presta a induzir a plateia considerar uma eventual inferioridade dos homens em relação ao sexo oposto e, com isso, definem um contraponto com o machismo, sem ditar regras, procedimentos e comportamentos pró-feministas.  Os padrões da direção de arte e do figurino de Nivea Faso conferem ao espetáculo uma paleta de cores e um padrão vestuário indicativos de um embrionário movimento social, político e filosófico, em potencial, desconstruído pelo enraizado discurso machista contra o sistema femista e estruturado pelo respeito entre os gêneros. Adicionalmente, a transformação das atrizes nas imagens concebidas pelo diretor fica por conta de Duoelo Visagismo, que estampa em cada uma das personagens o caráter de quem não vê nos filhos uma benção, que a formação de uma prole está muito aquém de sua realização pessoal e que a felicidade não se resume em constituir uma família visando colocá-la acima de suas vontades. O desenho de luz de Renato Machado ludibria os olhares e transforma o palco em uma pista dançante iluminada, poupa a atuação das protagonistas de qualquer vínculo com a sexualidade, dramatiza os momentos que passam ao largo da comédia e media a relação entre personagens e espectadores quando estes são metamorfoseados em transitórios protagonistas do espetáculo.

“O Grelo em Obras” é uma grata surpresa dentre os espetáculos do gênero cujo clímax se manifesta em uma catarse a partir da voluntariedade do público, que passa a se manifestar como se em uma plenária mediada pelas atrizes, limítrofe a uma terapia em grupo que desbanca o monopólio dos monólogos outrora proferidos somente por uma das partes situadas no exterior dos órgãos genitais femininos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Elza



Fala sobre a mulher, sobre a pobreza, sobre a cor da pele, sobre a igualdade, sobre a diversidade, sobre a resistência feminina, sobre as perdas e, sobretudo, sobre as conquistas.

Uma criança nascida em uma favela carioca, feliz, apesar de pobre e de ter que carregar latas d’água na cabeça, por sobrevivência. Uma menina compelida pelo pai a largar os estudos e a se casar com um homem já maduro e que a submetia à violência doméstica. Uma ainda menina que dá à luz um garoto cuja vida foi interrompida por conta de enfermidade. A mesma menina, que na busca pela cura da doença de seu filho, participa de um programa no auditório de uma grande emissora de rádio, sendo vitimada moralmente pela arrogância de seu apresentador. Uma adolescente que perde seu segundo filho para a fome que se impõe aos habitantes do “planeta” em que nasceu. Uma jovem adulta que enviúva e, com cinco filhos para criar, não teve outra saída senão trabalhar como doméstica. Uma mulher que jamais declinou do seu propósito na vida que era cantar.


Sete fases de uma vida que se desdobra em sete vidas – um breve prólogo do espetáculo biográfico “Elza”.

O extremo sofrimento, contido na história de vida de uma das maiores cantoras do Brasil – Elza Soares – conta com a estruturada direção de Duda Maia, que não concebe a possibilidade de transformar o musical em um melodrama lacrimejante. Muito pelo contrário, Maia presenteia o espectador com um testemunho de vida marcado pela garra e pela luta, para muito além da tristeza.

“Elza” fala sobre a mulher, sobre a pobreza, sobre a cor da pele, sobre a igualdade, sobre a diversidade, sobre a resistência feminina, sobre as perdas e, sobretudo, sobre as conquistas. No palco, treze mulheres – sete notáveis atrizes e cantoras – Janamô, Júlia Dias, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim e Larissa Luz – desafiam o espectador ao desnudarem todas as mulheres que Elza representa; seis explosivas musicistas – Antonia Adnet (vilões, cavaquinho e voz), Georgia Camara (bateria e percussão), Guta Menezes (trompete, flugelhorn e gaita), Marfa Kourakina (baixo), Neila Kadhí (programações, pandeiro, guitarra e voz) e Priscilla Azevedo (teclado, sanfona, escaleta e voz) escoltam as sete “Elzas” e potencializam a essência do espetáculo, sob a atenção e a emoção de uma plateia delirante.

O encantador texto de Vinícius Calderoni expõe ao público, sem o menor esforço, os tributos humanos e artísticos da primeira mulher brasileira a puxar um samba enredo. A beleza e a sensualidade furiosas que afloram da carne negra de cada uma das sete Elzas que representam Soares no palco são adornadas, de forma precisa e personalizada, pelo figurino de Kika Lopes e Rocio Moureque e pelo visagismo de Uirandê de Holanda. Definindo uma atmosfera mixada em meio à bossa, ao samba e à contemporaneidade, o cenário de André Cortez joga com o simbolismo, as marcas da trajetória de Elza Soares desde a sua infância até os dias atuais, permitindo a concepção de um desenho de luz cênica, por Renato Machado – que passa ao largo dos hiatos depressivos nos quais a vigorosa forte biografia poderia mergulhar a plateia – de tal forma a ofuscar as amarguras e as tristezas e a iluminar a voz da mulher de pele preta que clama por deixarem-na cantar até o fim. No embalo da retrospectiva da filha do operário tocador de violão, consagrada a cantora do milênio em 2007 pela BBC de Londres, é deflagrado um amistoso duelo entre a potente sonoridade das vozes que representam a voz da mulher do fim do mundo – em franca sintonia com a transformação da obra musical escrita em arranjos inebriantes sob os arranjos assinados por Letieres Leite – e o extasiante desenho de som Gabriel D’Angelo, atualizando o que já é de vanguarda, atingindo, em cheio, o leque de gerações que compõem os ainda crescentes admiradores de Elza Soares.


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Megatubarão



Aparente tributo bem-humorado, aos filmes protagonizados por criaturas que excedem as proporções daquelas consideradas como normais dentro de sua espécie



“Megatubarão” – um longa com ares Xing Ling que, apesar de impregnado de clichês identificados em filmes do gênero terror suspense tubaronesco, sem exageros, é capaz de satisfazer os anseios do público de cinema, consumidor de pipoca com guaraná, em busca de instantes de diversão.

Uma estação de pesquisa subaquática, onde um grupo de cientistas explora os limites das profundezas do Oceano Pacífico, é atacada por um ser descomunal, deixando inoperante, um módulo submarino e sua respectiva tripulação. Para salvá-los a base recorre a um especialista em evacuação marinha, que há cinco anos, não realizava tal função, em consequência de uma ocorrência de iguais proporções, identificada pelo mesmo, como um ataque por um monstruoso ser abissal.

Ao tentar estabelecer trajetórias distintas para cada um dos personagens, Jon Turteltaub atola a sua direção em meio a extensos e enfadonhos argumentos, com indesejáveis efeitos anticlímax, mas que não desmerecem, de modo algum, o seu aparente tributo bem-humorado, aos filmes protagonizados por criaturas que excedem as proporções daquelas consideradas como normais dentro de sua espécie, caçadas por exploradores e cientistas, movidos pela ganância.

Sem margem de dúvida, o longa de Turteltaub cumpre todos os requisitos para ser o blockbuster do momento. Contudo, para que a experiência seja comprovada como satisfatória, minimamente, as salas contempladas pelo formato IMAX e pelo recurso 3D são recomendadas, em benefício das tomadas no fundo do mar e do design de som, permitindo que o espectador se sinta parte integrante das cenas.


Vidas à Deriva



A coragem que triunfa sobre a força da mãe natureza em seus momentos mais alucinantes

Em setembro de 1983, Tami Oldham Ashcraft e seu noivo, Richard Sharp, foram contratados para conduzir um iate de 44 pés em uma viagem de 4.000 milhas, do Taiti a San Diego. Na metade da travessia do Pacífico, o casal se depara com o furacão Raymond – Sharp é jogado ao mar e Ashcraft permanece no iate durante quarenta e um dias, à base de manteiga de amendoim.

Baseado na história real do casal, o cineasta Baltasar Kormákur descreve uma relação de amor e de uma luta por sobrevivência que vai muito além do termo ‘superação’, fazendo de “Vidas à Deriva”, um longa inspirador sobre a coragem que triunfa sobre a força da mãe natureza em seus momentos mais alucinantes.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Acrimônia


A conflitante direção de Tyler Perry se confunde com produtivos surtos de transtorno de personalidade limítrofe, durante os quais, desenha protagonistas de caráter moralmente ambíguos, situações cruéis e doentias

Uma história na qual amargura e ira se exacerbam e tomam para si totalidade da tela, bem diante dos olhos do espectador atordoado, impossibilitado de se posicionar diante das cenas que evoluem durante o longa “Acrimônia” - a narrativa de uma mulher sobre seu conturbado relacionamento conjugal com um homem, razão da sua raiva corrosiva. Ele, obstinado por seu projeto de ciência como perspectiva única para conquista de uma vida abastada e permanentemente estável; ela, a provedora financeira de sua ambição, durante anos de matrimônio, até o momento em que é decretada a falência financeira do casal, juntamente com a sua tolerância, reduzida a zero – fato não menos instigado por suas irmãs e respectivos cônjuges – levando-a, a não menos, que à decisão pela separação judicial, afastando, ainda mais, a conquista de quem parece nunca declinar de seu projeto de vida.

A conflitante direção de Tyler Perry se confunde com produtivos surtos de transtorno de personalidade limítrofe, durante os quais, desenha protagonistas de caráter moralmente ambíguos, situações cruéis e doentias sob o manto do verdadeiro amor e da ruptura dos sonhos que se sonham juntos.

Ao incentivar a participação do espectador diante de suas reviravoltas dinâmicas, “Acrimônia” evidencia o prolífico roteiro que parece advertir sobre a pior das hipóteses comportamentais inspiradas na emoção, independente de gênero, de raça e de status do psiquismo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

De Carona Para o Amor


Uma deleitosa comédia e cuja essência desabrocha em uma linda história de amor


Um protagonista mitômano – grande empresário e típico madurão paquerador, que fantasia a sua condição física como se fosse portador de necessidades especiais e se passa por paraplégico para conquistar uma jovem mulher. Ela, por sua vez, lhe apresenta a irmã – uma mulher extraordinária, atraente, educada, bem-sucedida e, de fato, paraplégica. A partir desse momento, o longa “De Carona Para o Amor” sofre uma metamorfose, transformando-se em uma deleitosa comédia e cuja essência desabrocha em uma linda história de amor.

Franck Dubosc, além de interpretar o ardiloso personagem, também debuta na bem-vinda direção, ao se permitir o uso dos clichês na medida certa, sem vitimizar quem quer que seja, independentemente de suas “deficiências” morais, sociais ou fisiológicas.

A leveza e o bom humor previsível do roteiro isentam a obra de Dubosc de qualquer tipo de preconceito e, mesmo não se aprofundando na questão de acessibilidade, irradia alto astral em sua aparente inacabada obra cinematográfica.

O Nome da Morte


O filme faz da mira do calibre a solução do seu enredo violento e muito longe de um final tranquilo


Exibido na mostra competitiva do Festival do Rio 2017, o longa “O Nome da Morte”, de Henrique Goldman, tem estreia prevista para o dia 2 de agosto de 2018.

“O Nome da Morte” conta a história de Júlio Santana – matador de aluguel responsável por 492 homicídios em várias regiões do país. Santana foi apresentado ao ‘ofício’ por seu tio – um policial militar, quando Júlio ainda tinha 17 anos de idade.

Ao deixar o espectador indeciso na tentativa de identificação do matador como mocinho ou bandido, Goldman revela os ‘Brasis’ que desconhecemos onde, o que impera é a pobreza extrema e, a única forma de sobrevivência são os atos de frieza, impunidade e desigualdade desenhado no filme, sob o manto da lei e da justiça seletiva.

Baseado no livro homônimo, o filme faz da mira do calibre a solução do seu enredo violento e muito longe de um final tranquilo.