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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Buscando...



O impacto psicológico é a mais tênue dentre as reações que o ambicioso exercício estrutural, conferido ao longa “Buscando...”, sob a direção Aneesh Chaganty,  é capaz de provocar em cada um dos seus espectadores.

O cineasta, abraçando a tecnologia a ponto de lhe conferir um status que a eleva ao nível de protagonista, logo no início da película, simula um login da plateia através da sua possível imediata identificação com os personagens – que tomam os mesmos tipos de decisões, que exercem multitarefas, que abrem sucessivas janelas na tela do computador, que navegam através de uma infinidade de sites simultaneamente e efetuam todas as suas pesquisas online.

Em um breve momento, o espectador assume, involuntariamente, o seu papel em meio aos personagens que não vivem sem seu smartphone, seu notebook, seu tablet e cujas vidas encontram-se backupeadas, integralmente, na nuvem. A concepção central, consistente e inteligente, de “Buscando...” segue os movimentos online de um pai em pânico, na busca pela localização de sua filha adolescente desaparecida. Argumento e roteiro injetam emoção genuína no longa e investe pesado na reflexão sobre e existência humana e seu destino.

A identificação com o pai aflito, diante da omissão de réplica às suas mensagens de texto enviadas à sua filha única, intensifica a tensão e o aspecto ameaçador agregados à película, injetando intensa e crescente carga de fobia àquele progenitor, naqueles que se dispõem a se colocar na sua pele.

A visão de Chaganty, que conduz ao inevitável, faz de “Buscando...”  uma dimensão que não concede lugar para esconderijo – uma experiência inovadora e surpreendente, onde a rotina se resume em se logar e se deslogar.



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