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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O Banquete



Um tratado sobre o desejo que induz a tomada de uma direção, mas, não necessariamente, capaz de conduzir a uma meta

Um argumento elementar capaz de deixar espectadores perplexos diante da genialidade contida em meio a sucintos e diversificados estilos na incorporação de papéis.


É assim que uma atípica ‘prisão’ edificada pela burguesia a caminho da decadência pessoal, nos idos anos 1990, serve de pano de fundo para o filme “O Banquete”. A desvelada dinâmica da direção de Daniela Thomas estabelece um acerto de contas entre representantes de uma elite atuante e perpétua, regada à vinho e comidas afrodisíacas que, pouco a pouco, derruba as máscaras e a hipocrisia de cada convidado para tomar parte de um velado e amoral jogo – dentre eles, profissionais da imprensa, representantes das classes artística e política e um assalariado que se presta a, somente, servir à mesa. O cenário é estabelecido em meio a um jantar de comemoração dos dez anos de casados de um editor de uma revista com uma atriz famosa – reunião organizada por uma amiga do casal que, intencionalmente, convida a amante do homenageado, promovendo uma noite tensa, ameaçadora e decisiva para todos os comensais.

As intensões de Thomas transparecem o desenvolvimento de um tratado sobre o desejo que induz a tomada de uma direção mas, não necessariamente, capaz de conduzir a uma meta. O laboratório obscuro e selvagem que o longa aparenta ser é grandiosamente instintivo e, todos os envolvidos, incluindo o expectador – animal humano de situações limítrofes – também se sente no direito de, senão incorporar o papel de mais um dentre os convidados a sentar à mesa, pelo menos mais um a servir a elite brasileira. 




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