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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Pé Pequeno


A ousadia e a coragem de Kirkpatrick, merece mais do que um simples agradecimento por parte dos progenitores que levam sua prole para assistir “Pé Pequeno”

Ao encaminhar ao público do cinema, com muita sutileza, a mensagem de que a ortodoxia deve sim, ser questionada e subvertida, a animação “Pé Pequeno” celebra a razão, a verdade que faz parte do credo de cada indivíduo e a civilidade da aceitação do que se apresenta diferente aos olhos de quem vê, mas não compreende.

O longa conta a história de uma civilização composta por uma espécie de ser conhecido como ‘Yeti’, ‘Abominável Homem das Neves’ ou ‘Pé Grande’ – denominações que diferem entre si em função da origem da lenda, da época em que surgiu o mito e da cor da pelagem da criatura. O preceito contido no argumento da obra parte de um Yeti chamado Migo, cuja índole o conduz na contramão do que todos os seus semelhantes aceitam como verdade sobre os seres humanos, a partir dos ensinamentos de seu líder.  Após testemunhar os fatos decorrentes de um acidente aéreo, no qual um ser humano estava presente, Migo tenta defender a sua tese – mesmo sob o risco da desconstrução do credo secular de seu povo sobre sua origem e de sua relação com a espécie humana.

A surpreendente direção de Karey Kirkpatrick – que se mostra contida na primeira parte do filme, mas que desabrocha em um turbilhão de visões e de ensinamentos – brilha na medida em que defende o questionamento da ordem dominante e das regras escritas que se assemelham a mandamentos gravados em pedra por dedos divinos, que parecem promover o surgimento de facções, mais do que grupos religiosos. A ousadia e a coragem de Kirkpatrick, merece mais do que um simples agradecimento por parte dos progenitores que levam sua prole para assistir “Pé Pequeno” em demonstração de estarem cientes de que seus pimpolhos são seres pensantes e que não há mais espaço para histórias sem fundamentos para explicar o sentido da vida.

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