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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Salto no Vazio


A plasticidade acelerada e pouco elaborada isola a história em um labirinto de solidão e, até mesmo, desolação

Após a Segunda Guerra Mundial, o artista plástico francês Yves Klein – cuja totalidade da obra e de sua proposta de novas formas de fazer arte, se caracteriza pelo seu cunho experimental e pelo seu percurso pelas mais diversas formas de manifestações artísticas, tais como: pintura, literatura, fotografia e música – desponta como uma importante figura da arte europeia, tendo sido aclamado como um dos percursores da pós-modernidade.

O casal Cavi Borges e Patricia Niedermeier presta uma singela homenagem a Klein em seu mais novo filme – “Salto no Vazio”, título alusivo ao de sua obra mais conhecida – ‘Saut dans le vide’, explorando, não somente, o compartilhamento do  experimentalismo artístico contemporâneo com o foco na potência poética pelo artista, mas também a imagem do homem em queda, inserida no cartaz do longa nacional.

“Salto no Vazio” se apresenta como um diário de viagens, dividido em capítulos, com títulos baseados em cartas trocadas por um casal intensamente apaixonado. Ela, uma cineasta que deixa o Rio de Janeiro a caminho de Cannes, local onde se conhecem e pretendem se casar. Ele, repórter em Aleppo, Síria, realizando a cobertura fotojornalística dos terríveis conflitos que têm assolado a região.

Especialistas sugerem três palavras para resumir as obras de Klein: cor, corpo e imaterial.  Cavi e Niedermeier se apropriam desse conceito e expandem as palavras em expressões corporais, dança e imagens, durante toda a projeção.

A plasticidade acelerada e pouco elaborada isola a história em um labirinto de solidão e, até mesmo, desolação – segundo proposta de ficção mesclada com autobiografia. O resultado final se apresenta como uma das obras de Heráclito que a protagonista declama parcialmente e com livre adaptação – ‘Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio’ – do original que se aproxima da descrição de todo o longa – ‘Não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado; esta se dispersa e se recolhe.”

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