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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Nasce uma Estrela



O inovador olhar do diretor e ator Bradley Cooper para o clássico “Nasce uma Estrela” desfoca a leitura reducionista contida em uma trivial história de amor entre duas pessoas, insistentemente presente nas quatro versões anteriores que fazem parte da galeria de sucessos do cinema, desde o lançamento de “A verdade sobre Hollywood”, dirigida por George Cukor em 1932.

Embora seja evidente o engessamento do argumento que alimenta as cinco versões, a excelência contida na adaptação do roteiro para os dias atuais – em espantoso franco contraste com a versão de quarenta e dois anos de idade, dirigida por Frank Pierson – manipula o lugar comum de mais uma frustrada tentativa de um “e viveram felizes para sempre” – metamorfoseia envolvimento amoroso fruto de paixão desmedida em admiração mútua sustentada pela maturidade conquistada por intensa experiência de vida.

Ancorado por uma trilha sonora capaz de suprimir o fôlego do espectador – definida por clássicos, tais como “La Vie En Rose”, “Somewhere Over The Rainbow” e versões exclusivas para o filme – o longa conta a história de um guitarrista e cantor de meia idade, reconhecido por sua consagrada carreira e uma talentosa jovem aspirante ao estrelato dos palcos como cantora e musicista, conferindo uma atmosfera nostálgica porém, digna de Oscar, graças ao desempenho de Bradley Cooper (Jackson Maine) e Lady Gaga (Alli) que traduzem, apenas no olhar, o que está contido nas entrelinhas desta adaptação da obra original de William A. Wellman – notório diretor, produtor e consultor cinematográfico cuja produção se deu, em sua grande maioria, na primeira metade do século XX.

O casual encontro dos protagonistas Maine e Alli reage com potencial químico em igual proporção à empatia e entrosamento profissional de Cooper e Gaga. Enquanto Alli ascende ao estrelato – impulsionado pela admiração e pela confiança mútua que envolve a relação do casal – Cooper se entrega ao ostracismo, em função de sua dependência de drogas psicoativas. A autenticidade do roteiro é sólida o suficiente de modo a encantar o espectador que, certamente, se renderá ao cavalheirismo com que Cooper interage com Gaga que, por sua vez, se despe da sua própria fama para fazer nascer uma nova estrela de Wellman, pela quinta vez.


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