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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A Rota Selvagem



A crueza e a inflexibilidade pungente sobre o amadurecimento e perseverança diante das adversidades da vida de um adolescente, constrói um filme pesado, porém, contemplado por uma essência cativante.

Assumindo corajosamente uma possível capacidade de indução do espectador ao erro diante da possibilidade de seu roteiro ser interpretado como base de uma história de um ‘menino e seu cavalo’, “A Rota Selvagem” supera, em muito, as produções carregadas de obviedades e clichês emocionalmente apelativos. A brutal, porém genuína direção de Andrew Haigh endossa tal assertiva carregando a película com o retrato de uma vida, sem atenuar suas dores com filtros ou qualquer outros subterfúgios capazes de atender à demanda do espectador por um final feliz ou, ao menos, consolador.


A crueza e a inflexibilidade pungente sobre o amadurecimento e perseverança diante das adversidades da vida de um adolescente, constrói um filme pesado porém, contemplado por uma essência cativante. Charley (Charlie Plummer) é um jovem de dezesseis anos que, levando-se em conta a sua pouca vivência temporal, é lançado a uma precoce e dura experiência de vida, lidando com abandono e uma overdose de tristeza provocados por perdas pessoais e afetivas consecutivas. Paulatinamente, o mundo se abre aos seus pés, expondo o espectador às passagens mais sombrias da vida do jovem, ao longo de uma conturbada viagem desde Portland - estado de Oregon, noroeste dos Estados Unidos – rumo ao leste, até o estado de Wyoming, durante a qual, o taciturno Charley enfrenta um mundo cheio de dificuldades e total falta de empatia.

Evitando sucumbir ao sentimentalismo sobre a relação ser humano e animal, o espectador é manipulado de modo a distanciá-lo das emoções triviais e o direciona à preservação da memória da inocência, da sutileza e da vulnerabilidade, mesmo que, angustiante, ao longo da narrativa. Privilegiado pela trilha sonora por James Edward Barker e pela direção de fotografia assinada por Magnus Nordenhof Jonck, “A Rota Selvagem” se faz crível, brutalmente sensível, passando ao largo do sentimentalismo barato, intencionalmente por parte de Haigh.


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