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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Bohemian Rhapsody


Um delicioso filme, de rápida absorção, sobre o gênese e a trajetória, rumo ao sucesso, da banda britânica que se tornou o pilar do Classic Rock

Ao explorar o peculiar estereótipo das cinebiografias  de estrelas do rock moldadas pelo núcleo familiar, pelas dificuldades, pela perseverança, pela transposição das barreiras, pelo reconhecimento do talento, pela aquisição de fãs e, finalmente, pela conquista do estrelato, "Bohemian Rhapsody" se apresenta como um delicioso filme, de rápida absorção, sobre o gênese e a trajetória, rumo ao sucesso, da banda britânica que se tornou o pilar do Classic Rock – Queen. Nessa empreitada, o produtor e diretor norte-americano Bryan Singer consegue a proeza de narrar a história de Freddie Mercury (Rami Malek) como o vocalista da banda, poupando o seu longa de ser rotulado por uma sugestiva e não intencional exclusiva biografia do pop star, porém uma generosa exposição dos demais membros da banda como elementos de uma família formada pela escolha pessoal. Com profundo respeito e a partir de um olhar clemente e flexível a todas das formas de amor, Singer delineia, despretensiosamente, a tão contestada e demandada ao juízo, sexualidade de Mercury.

O roteiro se desenvolve a partir do momento em que o trio de rock ‘Smile’ perde seu vocalista e é surpreendido pela performance de um de seus fãs mais atentos e esperançosos – Farrokh – ao se oferecer para uma audição, desprovida de qualquer formalidade que pudesse ser exigida para a contratação de um vocalista vislumbrado pelo guitarrista e estudante de astrofísica, Brian May (Gwilym Lee) e pelo baterista e estudante de odontologia, Roger Taylor (Ben Hardy), que se rendem, de imediato, ao talento daquele que ousaram ‘bullyinar’, por conta de sua dentição proeminente. Para a surpresa de May e de Taylor, Farrokh não apenas é um cara que conhece as canções da banda, mas demonstra, de imediato,  a sua capacidade de se harmonizar com a recente produção da ‘Smile’, potencializando-a com o alcance vocal do tímido, mas não menos arrogante fã.

A intrigante originalidade do longa se faz presente pelo título “Bohemian Rhapsody” – o nome da música mais popular do Queen, com duração de quase seis longos minutos, para um single pop em pleno 1975. A sua mistura barroca, mística, melodramática e sem refrão, define o que foi a banda britânica para o mundo musical – um furação com solo de guitarra de Brian May que abre espaço para uma ópera composta por Mercury, que termina com um hard rock memorável.

Paralelamente ao drama de Mercury compartilhado com a banda Queen, o longa revela o curioso processo do surgimento dos ritmos familiares a todas as gerações que testemunham os seus sucessos, até os dias de hoje, e se faz presente como uma nota adicional aos sucessos que projetaram a banda Queen no hall da fama.

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