Counter

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Robin Hood - A Origem


Radicaliza, ao superar o título, há muito batido, ao atingir o espectador com imagens lançadas, como catapultas de efeito moral, contra muralhas contemporâneas resistentes à compreensão do já conhecido, sob pontos de vista repletos de atualidade


Personagem lendário que, provavelmente, teria vivido entre 1250 e 1300 e cujas histórias têm acumulado inúmeras versões desde o século XIV, Robin Hood – se tornou, a partir dos anos 1900, um clássico da literatura juvenil mais do que explorado pela indústria cinematográfica, tanto em filmes quanto em adaptações para animação, bem no espírito das histórias para ninar. Ao largo das histórias da carochinha e dos contos de encantar, o roteiro de Bem Chander e David James Kelly para o longa “Robin Hood - A Origem”, sob a direção do britânico Otto Bathurst, reinventa a fábula do homem que rouba dos ricos para dar aos pobres.

A atual versão, enfatiza a natureza dualista do justiceiro: como Robin de Locksley – um homem rico, afastado dos problemas de sua comunidade; e como o  ‘Capuz’ (uma releitura do chapéu com pena que lhe rendeu o codinome ‘hood’ pelo qual é conhecido) – um misterioso arqueiro que causa pânico em meio à classe dominante. Robin de Locksley é um traidor de sua classe, um veterano das Cruzadas e que luta contra o xerife de Nottingham depois que volta do campo das cruzadas e percebe que sua comunidade é extorquida pelo déspota nacionalista. Incorporando ambas identidades, o carismático ator Taron Egerton toma posse da essência da lenda. Ao denunciar padres pedófilos, aldeões revoltados e xerife corrupto, a direção carrancuda de Bathurst, repleta de licença de criação, atordoa o espectador, como se o conto de sete séculos de idade discorresse muito sobre a história contemporânea.


Sem rodeios, a soberania extremamente despótica e cruel para com o povo é uma das ousadas denúncias a serem detectadas no longa, com detalhes deliberadamente contemporâneos, e sinaliza para uma franquia voltada para um público menos persuasivo às ficções engessadas. A moderníssima pegada do roteiro transforma o que, em qualquer outra produção, poderia ser taxado como clichê. Radicaliza, ao superar o título, há muito batido, ao atingir o espectador com imagens lançadas, como catapultas de efeito moral, contra muralhas contemporâneas resistentes à compreensão do já conhecido, sob pontos de vista repletos de atualidade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário