Counter

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Acabou o Pó


A ótica masculina do espetáculo, em sua versão de 2014, foi atualizada pelo olhar atento da diversidade

Inspirado em situações cotidianas reais, a história de Nena e Kelly – duas donas de casa do subúrbio carioca que, em meio à fofoca diária, ocupam seu tempo com seus afazeres domésticos – conquista, novamente, seu espaço nos palcos, graças à percepção e à criatividade do dramaturgo Daniel Porto. Escaneada e plotada, com requintes de reprodução de detalhes do universo das protagonistas pela direção de Daniel Dias da Silva, a camada social, muito próxima ao espectador, se faz presente com suas necessidades e preceitos moralistas arraigados.

Os atores Anderson Cunha e Celso André, com a naturalidade de quem dedica tempos de laboratório ao seu trabalho, dão vida às suburbanas que não abrem mão de uma pausa no cotidiano para um cafezinho, durante o qual, colocam as fofocas em dia.

Adicionalmente ao desempenho da dramatização dos papéis, sob o dosado controle da direção de movimento, o suporte à cognição do espectador sobre o travestismo por parte dos atores do sexo masculino, em franco desempenho na atuação do sexo oposto, é concedido pelo figurino de Karlla de Luca e pelo visagismo de Max Vitor que, apesar da carga estereotipada presente nos personagens, cumpre a sua função ao explorar, com naturalidade e visão diversa, o universo sócio comportamental definido para o espetáculo “Acabou o Pó”. De Luca também é responsável pela simplicidade, pela alegria e pelo charme contidos no cenário que representa a classe que vislumbra e luta por vencer os patamares rumo à conquista do poder de consumo da classe média típica de uma metrópole brasileira. O desenho de luz de Jacqueline Winter se faz bastante funcional, cumprindo o seu papel de realçar a graça e a reflexão presente na dinâmica do diálogo das amigas.

A ótica masculina do espetáculo, em sua versão de 2014, foi atualizada pelo olhar atento à diversidade, a partir da atmosfera descompromissada e da dubiedade presente no título, reforçando, ainda mais, o seu compromisso para com a comédia e a realidade nua e crua, até mesmo nos momentos frustrantes, em que se constata que acabou o pó do café.

Circuito Geral - Acabou o Pó

Nenhum comentário:

Postar um comentário