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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Encantado



A ideia central da animação “Encantado” é legítima, ao contar a verdadeira história por detrás do mito de um Príncipe Encantado – um infeliz garoto rico, cujo apelo irresistível às mulheres não é uma bênção, mas uma maldição, no verdadeiro sentido da palavra. Para quebrar o feitiço, é necessário confrontar uma série de perigosos desafios, auxiliado por Demore – uma ladra, cuja sua maldição é a incapacidade de amar, o que lhe dá a imunidade aos encantos do garoto.

Embalado por aborrecidas músicas pop e tendo Branca de Neve, Cinderela e a Bela Adormecida como coadjuvantes fúteis e egoístas, que brigam para serem eleitas a escolhida do príncipe, a animação aflora da leitura das histórias para dormir, pelo diretor Ross Venokur para suas filhas. Ao perceber que cada Princesa era casada com um Príncipe Encantado, Venokur passa a questionar a origem dos Príncipes e a sua verdadeira função no universo dos contos de fadas.

O público infantil, provavelmente, não tem a maturidade suficiente a ponto de perceber tais questões, tampouco os adultos não atinam para tal conflito, por completa falta de empatia com os personagens. Na contramão dos tempos, em “Encantado”, a carência da força feminina se manifesta como algo politicamente dosado,  no contexto de um mundo onde o homem ainda é o único meio de fazer com que uma mulher seja feliz para sempre.



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