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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Era uma vez um Deadpool


O grande deboche do ano


“A Princesa Prometida” – filme de Rob Reiner lançado em 1987, baseado no romance assinado por William Goldman – tem início com a cena de um menino que se encontra enfermo (Fred Savage) e que ouve o seu avô contar-lhe a história do livro homônimo do filme. Ao longo da narração, o idoso é interrompido diversas vezes pelo neto, principalmente quando o menino pede ao avô para pular as “partes de beijo”.

Baseado nessa narrativa moldura, o dublê, ator e diretor David Leitch lança o grande deboche do ano – “Era uma vez um Deadpool”– para o suposto ‘público-alvo’ composto pelos adolescentes de treze a quinze anos, que foram barrados no filme ‘Deadpool 2’ que recebeu a classificação indicativa para maiores de dezesseis anos, quando de seu lançamento em 2018.

Em “ Era uma vez um Deadpool”, ao sequestrar Fred Savage – atualmente, um homem e não mais uma criança – Deadpool recria a cena do filme de Reiner: Deadpool (Ryan Reynolds), como o narrador; e Savage, como a ‘criança enferma’ – papel que interpretara em 1987 em “A Princesa Prometida”.

A grande abismo entre “ Era uma vez um Deadpool” e “Deadpool 2” se configura na supressão das cenas de carnificina, das referências sexuais e dos palavrões, uma vez que, a atual versão é voltada para que os ingênuos adolescentes de até quinze anos de idade, não fiquem traumatizados – conforme justificativa do sistema de classificação de filmes, outrora descrito como ‘censurado para menores’. As cenas pós créditos definem o desfecho do sarcástico anti-herói e do seu sequestrado, além de prestar um emocionante tributo a Stan Lee – falecido, apenas, há algumas semanas antes do lançamento de “ Era uma vez um Deadpool”.

A dificuldade na abordagem do longa de Leitch encontra-se no fato de se tratar de um filme novo, mas não de um novo filme da franquia, configurando-o como um instrumento de ironia e um revide contra o sistema que se acha no direito de decidir pelos pais, a idade certa para que seus rebentos travem contato com o que já faz parte do cotidiano do mundo real.

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