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quarta-feira, 27 de março de 2019

A Rebelião



A fatal e indiscutível aceitação do presente encaminhado pelos céus: o fascismo


O local é Chicago; o ano, 2027. Uma grotesca espécie alienígena encontra-se no comando do planeta Terra e, ao contrário de uma reação combatente à invasão, a maioria dos humanos, incluindo os governantes das nações mais expoentes em todo o mundo, se prostram diante dos invasores, durante nove longos anos. Mas a submissão diante do golpe alienígena não é compartilhada pela resistência que, durante a ocupação extraterrena, cresce progressivamente nas grandes cidades.

O cativeiro implantado na Terra é uma obra do imaginário de Rupert Wyatt, também diretor do longa, sem qualquer propósito de promover  entretenimento,  uma vez que a pressão impingida na mente do espectador é tão intensa que acaba transformando “A Rebelião” em algo medonho e insatisfatório. Faz parte da meta de Wyatt, explicitar o irremediável e cruel desejo que a humanidade seja condenada através de requintado sinistro tecnológico, com intenção única – a confirmação de quem é o dono de quem.

Nove anos após o primeiro contato, o comando do Planeta é transmitido para os possessores alienígenas, cujo líder, de aspecto espinhoso, é conhecido como o Legislador. Criaturas tão bondosas quanto um ditador – um anseio que faz parte do credo de muitos humanos, mesmo em conturbados tempos atuais, em todo o mundo – operam a partir da instabilidade monetária e da opressão dos direitos.

O longa, mesmo após uma hora de árida labuta interpretativa dos acontecimentos, mantém o seu conteúdo tedioso, sem qualquer compromisso com o que possa ser considerado essencial e prover a clareza do que ocorre no mundo de Wyatt – sem dilema existencial ou motivo sócio-político aparente, mas somente o descompromisso para com a solução de uma catástrofe em nível mundial – a fatal e indiscutível aceitação do presente encaminhado pelos céus: o fascismo.

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