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quinta-feira, 28 de março de 2019

Gloria Bell




Há mais drama em um único dia de vida de uma pessoa que a vã filosofia pode conceber

Uma agente de seguros residente em um pequeno apartamento em Los Angeles, divorciada, e que ainda não desistiu buscar por um amor, se dispõe a levar a vida embalada por canções dos anos 1980 as quais cantarola, acompanhando o som de seu carro e que, ao mesmo tempo, desenham a sua história. 


O deleite do longa “Gloria Bell” está na maturidade do egoísmo, presente em adultos sem superpoderes, que não se dispõem combater seus arquivilões – muito menos salvar o mundo além do universo ao seu redor imediato. Por isso mesmo, isentam-se qualquer recurso pirotécnico tecnológico, muito menos, efeitos especiais.

O nocaute desferido no espectador, pela direção perversa de Sebastián Lelio, age diretamente no engrandecimento da personagem, grandiosamente vivida por Julianne Moore – uma frequentadora habitué de um bar local, onde conversa e dança com estranhos, como se não houvesse o amanhã. Sem qualquer viés narrativo convencional, o cineasta chileno envolve o espectador apenas com os imprevistos emocionais que são estampados no rosto de Moore – mormente quando a voz da razão deixa de ser ouvida para escutar a voz do coração, ao conhecer e permitir um homem divorciado, com problemas emocionais insolúveis, entrar em sua vida.

Ao mostrar que há mais drama em um único dia de vida de uma pessoa que a vã filosofia pode conceber, o longa dá de ombros aos blockbusters que valorizam perseguições e explosões mais do que a essência da vida dos seres humanos e seu relacionamento com a sua existência.

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