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segunda-feira, 25 de março de 2019

Uma Viagem Inesperada


Imperceptíveis sinais de um road movie


Sentindo-se inapta para controlar o seu filho adolescente Andrew (Thomas Wicz) e, ao tomar conhecimento de que o rapaz teria sido advertido pela direção da escola pelo porte de um facão dentro do estabelecimento de ensino, Ana (Cecilia Dopazo) desespera-se e entra em contato com o pai, seu ex-parceiro Pablo (Pablo Rago), residente desde muito tempo no Brasil, mantendo um relacionamento com Lucy (Débora Nascimento). Inquieto com a ocorrência, Pablo vai ao encontro do filho, em Buenos Aires e lhe propõe uma viagem a Bolivar – sua cidade natal – em busca de desfrutarem de um pouco mais de tempo para, melhor, se conhecerem.

Ao tentar explorar o complexo universo dos adolescentes e a falta de comunicação entre pais e filhos como temática de “Uma Viagem Inesperada”, a direção de Juan José Jusid confere ao longa imperceptíveis sinais de um road movie, a despeito da mixórdia composta por Bullying, suicídio, álcool, drogas, armas de fogo e traição, sem que as temáticas tomassem um rumo meritório de um mínimo de credibilidade.


As cenas nas quais Pablo se esmera em se expressar na língua portuguesa assumem caráter prescindível frente às repetitivas chamadas telefônicas da empresa, para a qual trabalha como engenheiro, com sede no Rio de Janeiro. Da mesma forma, as insossas cenas presenciais e dialogadas por telefone com Débora Nascimento, além do caráter efêmero a eles concedidas, configuram somente uma relembrança aos espectadores de que se trata de uma co-produção Brasil-Argentina.

O prêmio de consolação oferecido ao espectador é a promessa de um final no qual as cicatrizes emocionais entre pai e filho sejam realmente eficazes ao tratar assuntos repletos de seriedade e de dor. Lamentavelmente, o  desinteresse pela humanização do drama torna-se evidente, deixando assim, apenas a lembrança deformada, em formato de máxima, de que promessa não é dívida, mas dúvida.

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