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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Cópias - De Volta à Vida



As questões morais, éticas e científicas são colocadas de lado, endossando os absurdos do roteiro

“Cópias - De Volta à Vida” tem início com Will Foster – o cientista-chefe, interpretado por Keanu Reeves, e sua equipe, prestes a transplantar o cérebro de um cadáver masculino para um robô. Concluído o procedimento, o ser revivido reage de modo inesperado e deflagra um processo de automutilação.

Aparentemente insatisfeito com o conteúdo caricato das cenas iniciais do longa, o diretor Jeffrey Nachmanoff transforma a sua ficção-científica em uma comédia nonsense, delegando, ao protagonista, uma viagem de carro noturna, sob chuva torrencial, em companhia de sua família composta por esposa e três filhos, anunciando o previsível acidente do qual, somente ele sobrevive. À beira da estrada, ele decide arquitetar um plano para replicar toda a sua família que, naquele momento, não passa de corpos enfileirados, lado a lado, no local do acidente. As questões morais, éticas e científicas são colocadas de lado, endossando os absurdos do roteiro de Chad St. John.

Sem qualquer argumento consistente que possa definir o longa como melodrama familiar – sobre a história de um homem que se permite qualquer coisa para trazer sua família, vítima de um acidente fatal, de volta à vida – ou como um thriller – com foco na batalha de um homem contra a conspiração de um governo – restam  "emaranhados neuro-fibrilares", "transferência ocular", "córtex viável" e “comandos de início de sequência de mapeamento” proferidos, exaustivamente, durante os infindáveis cento e sete minutos de duração do longa, passando um recibo de total falta de texto e de mínimo de coerência, até mesmo para justificar uma comédia sem qualquer apelo para risadas genuínas.

O Anjo




Ortega leva o espectador à reflexão sobre o conteúdo hipnótico, brutal e amoral de sua obra

Desde sua prisão em 1972, com vinte anos de idade, Carlos Eduardo Robledo Puch, apelidado ‘O Anjo da Morte’ passa quarenta e seis  anos encarcerado, por ter sido julgado culpado por onze assassinatos, roubos, agressões sexuais e diversos outros crimes.


Baseando-se nos relatos do serial killer, o cineasta Luis Ortega minimiza os aspectos mais hard da ficha corrida do psicopata – como os estupros – e destaca a sua sexualidade, a sua família e o início de sua psicopatologia, no seu novo longa “O Anjo” – produzido por Pedro Almodóvar – que inicia a história de Puch (Lorenzo Ferro) como assaltante de uma casa vizinha à sua, em Buenos Aires, em 1971. Os pais do protagonista, vivendo de forma  trivial e respeitável, não são alvo de orgulho, sequer parâmetro para o jovem Carlitos que, a partir de sua amizade com o colega de escola – Ramón (Chino Darin), encontra a família de seus sonhos – chefiada pelo pai (Daniel Fanego) de Ramón – um ex-presidiário viciado em heroína – e por sua sensual esposa (Mercedes Moran). Juntos, Puch, Ramón e seus pais, formam uma quadrilha.

A trilha sonora contribui para que a irônica dramatização tenha um efeito impactante junto ao espectador – uma vez que o perfil de Carlitos não reflete a imagem de um psicopata usual dos filmes, tampouco parece ser compelido à prática de homicídio. Suas práticas criminosas não contemplam planejamentos fantasiosos, torturas, sequer rituais, mas apenas reações circunstanciais, de forma tal que o tornam um indivíduo temeroso.

Ortega reescreve a história de Puch buscando o equilíbrio entre os horrores praticados por Puch e o fascínio que o protagonista lhe provoca, transformando-o em um jovem sexy, contemplando uma beleza andrógina e contrariando a opinião da sociedade sob a ótica do que, por ela, é considerado ‘normal’. E contrapartida, Ortega leva o espectador à reflexão sobre o conteúdo hipnótico, brutal e amoral de sua obra – se contaminada por resquícios de decência ou pela anulação de fragmentos de compunção, a partir da hipótese dos indivíduos não optarem ser apenas bons ou maus o tempo todo, mas podem se tornar aquilo que escolhem ser, para sempre.

O Mau Exemplo de Cameron Post




Visível serenidade e aura solar fervorosa de esperança

Uma adolescente órfã da Pensilvânia – totalmente desarmada contra convenções sociais e ciente de seu senso de identidade não negociável – é compelida a ser internada, por sua tia, em um campo cristão de terapia de conversão gay. A maturidade precoce da protagonista é desenhada por Chloë Grace Moretz, que revela a sua versatilidade ao dar a vida à jovem Cameron Post.


O desenrolar dos equivocados atos que estruturam o drama “O Mau Exemplo de Cameron Post” tem início com dia do baile de formatura de Post, ao ser flagrada por seu namorado, no banco de trás do carro deste, beijando e abraçando apaixonadamente, a rainha do baile Coley Taylor (Quinn Shephard). A partir desse fato, que chega ao conhecimento da tia de Post, Cameron é exilada de seu meio e passa a conviver com outros jovens considerados por seus responsáveis como “doentes” ou “anormais” por sentirem atração afetiva por pessoas do mesmo sexo, internos na instituição denominada ‘Promessa de Deus’. A severa líder da instalação – a Dra. Lydia Marsh (Jennifer Ehle) – juntamente com o seu oprimido irmão ‘ex-gay’ – o Reverendo Rick (John Gallagher Jr.) – acreditam não existir a homossexualidade e, a partir desse credo, de forma sistémica, partem para a destruição da vontade de existir dos jovens internos, tendo em vista o seu comportamento legítimo e nato.

O otimismo contido na direção da cineasta iraniana-americana Desiree Akhavan conta com visível serenidade e aura solar fervorosa de esperança – muito provavelmente pela ingenuidade e pela curta duração do longa noventista, atualíssimo e urgente, no momento em que ´terapias’ de conversão de comportamento sexual ainda é inexplicavelmente legal em muitos recantos desse vasto mundo, governados por defensores da ‘cura gay’, como uma forma de perpetuar o fundamentalismo religioso acima de tudo, de todos e contra a laicidade dos Estados.

A Maldição da Chorona




Um longa que não consegue contar, sequer, a história para que veio

Baseado em um conto folclórico latino-americano que se passa no México do século XVII, uma mulher ciumenta afoga seus dois filhos para punir seu marido traidor. A partir desse argumento, os produtores Gary Dauberman, James Wan e Emile Gladstonede, que parecem acreditar, piamente, na capacidade do despertar do interesse dos espectadores fanáticos pelos filmes de horror, lhes apresentam a Chorona.


O filme “A Maldição da Chorona” dá um salto no futuro, diretamente para o ano de 1973, promovendo o recomeço da história em Los Angeles – nessa leitura, a partir de uma recente viúva, funcionária do Serviço de Proteção às Crianças, incumbida de destituir a tutela de um casal de jovens de sua mãe, que os tranca em um armário do apartamento onde moram, repleto de velas acesas, por todos os lados. Ao resgatar o menino e a menina e os instalarem, provisoriamente, nas dependências da instituição onde trabalha, a servidora garante à mãe – que por sua vez acredita estar protegendo seus filhos de algo maligno – a segurança de ambos. No entanto, as duas crianças acabam morrendo afogadas, naquela mesma noite, fazendo com que a mãe responsabilize a viúva pela perda de seus filhos. 

A tentativa de conexão do espectador ao universo da invocação do mal – que se faz precária e superficialmente pela direção de Michael Chaves – resulta em um longa que não consegue contar, sequer, a história para que veio, mínima e razoavelmente lógica. Torna-se um deboche com viés cômico a introdução do Padre do filme Annabelle, em breve relato à história da boneca possuída por um ser demoníaco, de forma nada convincente, mas com direito à imagem em flashback do brinquedo que se tornou um ícone trash dos filmes do gênero.

Ruídos estrategicamente programados, imbuídos da função de assustar o espectador, acima dos níveis dos decibéis médios ao longo do filme, funcionam como despertadores para a retomada da atenção para um longa dotado de ritmo lento, sem apelo visual, capaz de provocar ímpetos de fuga da sala de projeção por parte da audiência pelo simples pavor de não mais acordar daquele pesadelo

O Gênio e o Louco



O contexto histórico sobre a natureza da linguagem, a amizade, a genialidade e a loucura, como apartes eruditos

O filme “O Gênio e o Louco” – magistralmente dirigido por Farhad Safinia – de maneira eloquente, presenteia o espectador com a notabilidade e obsessão de dois homens – um, acometido por intrigante insanidade e outro, dotado por extraordinária genialidade – aos quais se deve criação do Dicionário Oxford da Língua Inglesa (Oxford English Dictionary).

A despeito do registro histórico da obra, cuja origem remonta ao ano de 1857, a partir de um projeto ambicioso supervisionado por um comitê liderado pelo professor autodidata James Murray (Mel Gibson), o longa se aprofunda no despertar da amizade entre Murray e o Dr. W.C.Minor (Sean Penn) – um veterano da Guerra Civil Americana – que, coincidentemente, ao longo de sua vida, já havia trabalhado na definição de mais de dez mil vocábulos. Contudo, ao longo do trabalho, quando da tomada de decisão pela prestação de uma honraria a Minor por parte do conselho, a devastadora verdade, sobre o fato de que o militar cumpria pena de prisão em um asilo para criminosos insanos, é trazida à luz dos acadêmicos de Oxford.

Cercada de profissionais que concederam ao longa, excelência no desempenho do elenco, na concepção da cenografia, no olhar fotográfico, no desenho do figurino, na transformação pelo visagismo e na definição da trilha sonora, Safinia trabalha, literária, teatral e tendenciosamente aliciando os representantes de Hollywood com ingredientes palatáveis, o suficiente, para a bancada do Oscar que leva em conta esses parâmetros para as suas nomeações. Gibson e Penn tangenciam suas habilidades como Minor e Murray e detalham a grandeza biográfica contida no livro no qual o longa foi baseado – The Professor and the Madman’, de Simon Winchester.

Se por um lado, a tragédia – tão habilmente  pelo longa de Safina – é deflagrada pela conjunção de distúrbios de ansiedade – em especial, o transtorno do estresse pós-traumático – com sentimento de culpa, revolta, arrogância e ganância, por outro, é generosamente adoçada pelo transbordamento de sentimento de amor familiar, de fidelidade, de amor platônico, de arrependimento, de resignação, de admiração e de lealdade. O contexto histórico sobre a natureza da linguagem, a amizade, a genialidade e a loucura, como apartes eruditos, fazem dessa obra uma referência para a atual racionalidade com o seu estilo inconclusivo.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

After




Direcionado a jovens pré-adolescentes

Antes de se tornar uma trilogia publicada, “After” foi concebida, originalmente, no formato de uma fan fiction postada no Wattpad – rede social contemplando plataforma, através da qual é possível criar, publicar histórias e permitir que seus leitores acompanhem o seu trabalho, capítulo por capítulo, através do aplicativo, podendo, adicionalmente, comentar, dar estrelas e enviar mensagens privadas.


Ciente do potencial financeiro daquele projeto, Anna Todd cria uma história centrada em Harry Styles, Liam Payne e Zayn Malik – os componentes da banda One Direction – capturando a atenção dos fãs e fazendo da história um enorme sucesso, quase de imediato. Consequentemente, as editoras passam a assediar Todd que, em seguida, assina um contrato milionário para transformar a sua ficção em um filme, sob a direção de Jenny Gage. Assumindo o seu ofício junto ao projeto de Todd, Gage altera algumas partes do roteiro para contar a vida de Thereza Young (Josephine Langford) ou, somente Tessa – uma garota que vive tranquilamente na companhia de seu namorado, que conheceu na infância, e de sua zelosa mãe, que batalha em prol da prosperidade de sua filha. Ambos acompanham a jovem Tessa em seu primeiro dia de faculdade – um sonho alcançado pela jovem. Sua colega de quarto – Steph (Khadijha Red Thunder) – é uma autêntica garota descolada, sempre acompanhada de vários garotos – dentre os quais, o misterioso e aparentemente arrogante Hardin Scott (Hero Fiennes Tiffin), por quem Tessa cultiva uma antipatia clichê que, no decorrer da história, se transforma em um forte impulso amoroso.

O longa “After” parece ser direcionado a jovens pré-adolescente – embora a sua classificação indicativa seja acima de 14 anos, no Brasil. Concebido a partir de um enredo previsível, finalizado descaradamente apontando para uma franquia, desenvolvido em meio a um roteiro segundo narrativa desmotivante e impulsionado por uma trama controversa, que tem tudo para se tornar uma saga sobre personagens sem carisma, que usam como preceito a desculpa de que o ‘amor’ sempre fala mais alto, incondicionalmente.




O Som e a Sílaba


O Som e a Sílaba não se intimida, tampouco confunde o espectador com a sua excentricidade, ao discorrer sobre a síndrome de Asperger ao som de clássicos da música erudita

A angústia frente ao incerto, ao desconhecido e ao medo incutido ao longo da vida – que induzem à identificação da sociedade segundo padrões qualitativos, qualificativos, quantitativos e referenciais – muitas vezes, é compensada pelo domínio de alguma habilidade em potencial ou pelo reconhecimento por notório saber, capazes de reduzir o pavor de ser apontado por ignorância ou por incapacidade. Como num ato autopreservação da racionalidade e do instinto, surge o poder de identificação do inimigo que, nem sempre, se faz presente.

Longe de vislumbrar assumir o status de um diagnóstico psicossocial, mas as entrelinhas do conteúdo do  espetáculo “O Som e a Sílaba”, o prólogo desta resenha visa transmitir os valores incrustados no texto de Miguel Falabella aos espectadores – como a magnitude contida no ato de se entregar ao próximo, como um agente capaz de lhe conceder a faculdade se compreender melhor. Compreensão essa responsável pelo equilíbrio na condução dos momentos difíceis e pelo respeito supremo ao ‘funcionamento’ de um ser, mesmo que acometido pela Síndrome de Asperger, tal como Sarah Leighton – uma jovem desajeitada no que se refere à integração social e sedenta pelo conhecimento de tudo que se relaciona com música – personagem incorporada, de voz, corpo e alma, pela atriz, cantora, compositora e versionista brasileira – Alessandra Maestrini.

Ao conceber e dar a vida à professora de canto Leonor Delis, materializada no palco, pela soprano lírico-spinto brasileira – Mirna Rubim, a direção de Falabella celebra a união entre música e humanidade, alterando, em definitivo, a trajetória das duas mulheres. Uma trama se passa num ambiente onde cobranças e convenções sociais conquistam a empatia do espectador, pelo simples fato da substância tóxica do preconceito ter passado pelo processo de destilação. Um cenário acolhedor, habilmente concebido por Zezinho Santos e Turíbio Santos, refletindo o habitat de Leonor – através de seu piano de cauda, acessórios musicais, mobiliário e objetos pessoais – permissiva e generosamente, acolhe a invasão de Sarah, através de um pórtico limítrofe entre as duas dimensões às quais pertencem as protagonistas – a porta de entrada da casa da professora. Em respeito ao conceito que define a luz como responsável pela modelação do espaço arquitetônico, o desenho luminotécnico cênico assinado por Wagner Freire insere – em meio aos focos que traduzem tragédia e comédia em determinação, solidariedade e conquista – adereços cênicos que incorporam luminosidade própria, cujos significados ficam por conta do aprofundamento da leitura de cada espectador na mente criativa de Falabella. O contraste entre a consagrada postura, requintadamente formal e profissional de Leonor, que sugere o seu cotidiano comportamental, e a gradativa evolução dos modos autênticos, despojados e simplórios de Sarah ao longo da história, é devido, não somente à direção de movimento – facilmente imputada como parte integrante da zelosa e minuciosa direção geral – mas também à evolução de estilos do figurino concebido pela dupla Ligia Rocha e Marco Pacheco, em estreita composição com o adequado visagismo de Wilson Eliodorio. Diversos são os momentos em que a realidade e a ficção se fundem presenteando o espectador com um espetáculo dentro de um outro espetáculo, promovendo um impacto da idealização do desenho de som de Mario Jorge Andrade, que define a jornada das protagonistas rumo ao autoconhecimento de suas essências.

Se é sabido que “de perto, ninguém é normal”, absurdos e incongruências fazem parte das dificuldades para se chegar à definição do que seja essa tal normalidade. Em torno desse pensamento, “O Som e a Sílaba” não se intimida, tampouco confunde o espectador com a sua excentricidade, ao discorrer sobre a síndrome de Asperger ao som de clássicos da música erudita, tais como: Vissi D’Arte” – de Giacomo Puccini; “Je Veux Vivre” – de Charles Gounod; “Oh Mio Babbino Caro” – de “Gianni Schicchi” e “Viens, Mallika, Les Lianes Na Fleurs” – de Leo Delibes; dentre outras, cantadas ao vivo pelas estrelas que despontam na ficção e na realidade.


terça-feira, 9 de abril de 2019

Los Silencios



Extrapola ao abrir o leque de variantes entre política, espiritualidade e o horror da realidade de maneira lenta e inebriante

A pantanosa região amazônica – que faz fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru – serve de pano de fundo para o longa “Los Silencios” que extrapola ao abrir o leque de variantes entre política, espiritualidade e o horror da realidade de maneira lenta e inebriante – seja pelo didatismos direcionado ao espectador ou pelo fascinante visual que se propõem a um fechamento emotivo e frágil, que se inicia dentro de um pequeno barco que vai em direção a um píer, no meio da noite. Amparo (Marleyda Soto) – uma refugiada da Colômbia com esperança de chegar ao Brasil – desembarca no píer e é recebida por sua tia que lhe acolhe em sua minúscula casa em um lugarejo intitulado ‘Ilha da Fantasia’.

A metáfora sugerida pelo título e pela direção de Beatriz Seigner é minuciosamente elaborada no que diz respeito à simbólica paisagem sonora. A mixagem do silêncio e quietude contrasta com os sons da natureza e com tons quase sobrenaturais, como uma clemência proferida para os refugiados que transitam entre vivos e os mortos na busca de apenas um lugar para viver.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Shazam!



A virada de página da Warner Bros., em meio ao universo DC

Finalmente, a virada de página da Warner Bros., em meio ao universo DC, é deflagrada com o longa “Shazam!” – uma genuína ode à infância, contrapondo aos tempos em que a esperança e a admiração, a partir do público infantil, têm como foco personagens adultos.

David F. Sandberg homenageia os fãs dos quadrinhos com a sua direção repleta de despojamento, contemplando a dose certa de passagens cômicas e uma história apaixonante sobre um garoto que é eleito por um bruxo para se tornar o ser divino Shazam – um herói adulto com alma de criança, que se propõe a testar suas habilidades com imprudência e alegria infantil.

Originalmente, intitulado Capitão Marvel, nos quadrinhos de 1940 – por conta de uma longa ação judicial sofrida pela DC, movida pela Marvel Comics, que havia registrado o nome Capitão Marvel em uma de suas revistas em 1972 – o super-herói concebido pela DC foi obrigado a ter o seu nome alterado para Shazam. Sandberg consegue desassociar o Capitão Marvel de Shazam, com muita confiança e equilíbrio, impulsionado pela emoção de um adolescente agraciado com superpoderes e que, não obstante, mantém seu comportamento lúdico - tão à míngua na atual conjuntura e que, inofensivamente, não exige o olhar amadurecido do espectador, mas o que há de criança dentro de si.

O longa, durante toda a sua projeção, mantém a alegre jovialidade, sem qualquer subterfúgio e, com isso, não decepciona os jovens, tampouco os adultos que saem da sessão como crianças, enaltecendo os deuses Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio – cuja composição das primeiras letras de cada nome é responsável pela origem da palavra Shazam.