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quarta-feira, 17 de abril de 2019

O Gênio e o Louco



O contexto histórico sobre a natureza da linguagem, a amizade, a genialidade e a loucura, como apartes eruditos

O filme “O Gênio e o Louco” – magistralmente dirigido por Farhad Safinia – de maneira eloquente, presenteia o espectador com a notabilidade e obsessão de dois homens – um, acometido por intrigante insanidade e outro, dotado por extraordinária genialidade – aos quais se deve criação do Dicionário Oxford da Língua Inglesa (Oxford English Dictionary).

A despeito do registro histórico da obra, cuja origem remonta ao ano de 1857, a partir de um projeto ambicioso supervisionado por um comitê liderado pelo professor autodidata James Murray (Mel Gibson), o longa se aprofunda no despertar da amizade entre Murray e o Dr. W.C.Minor (Sean Penn) – um veterano da Guerra Civil Americana – que, coincidentemente, ao longo de sua vida, já havia trabalhado na definição de mais de dez mil vocábulos. Contudo, ao longo do trabalho, quando da tomada de decisão pela prestação de uma honraria a Minor por parte do conselho, a devastadora verdade, sobre o fato de que o militar cumpria pena de prisão em um asilo para criminosos insanos, é trazida à luz dos acadêmicos de Oxford.

Cercada de profissionais que concederam ao longa, excelência no desempenho do elenco, na concepção da cenografia, no olhar fotográfico, no desenho do figurino, na transformação pelo visagismo e na definição da trilha sonora, Safinia trabalha, literária, teatral e tendenciosamente aliciando os representantes de Hollywood com ingredientes palatáveis, o suficiente, para a bancada do Oscar que leva em conta esses parâmetros para as suas nomeações. Gibson e Penn tangenciam suas habilidades como Minor e Murray e detalham a grandeza biográfica contida no livro no qual o longa foi baseado – The Professor and the Madman’, de Simon Winchester.

Se por um lado, a tragédia – tão habilmente  pelo longa de Safina – é deflagrada pela conjunção de distúrbios de ansiedade – em especial, o transtorno do estresse pós-traumático – com sentimento de culpa, revolta, arrogância e ganância, por outro, é generosamente adoçada pelo transbordamento de sentimento de amor familiar, de fidelidade, de amor platônico, de arrependimento, de resignação, de admiração e de lealdade. O contexto histórico sobre a natureza da linguagem, a amizade, a genialidade e a loucura, como apartes eruditos, fazem dessa obra uma referência para a atual racionalidade com o seu estilo inconclusivo.

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