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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Mademoiselle Paradis



Situações instigantes junto ao indescritível método de associação entre magia e ciência, conferindo, ao longa, uma aparência exótica, mas longe de qualquer objetividade.

Na segunda metade do século XVIII, a história real de uma pianista e compositora austríaca – Maria Theresia Paradis (Maria Dragus), nascida em uma família abastada que tenta, a qualquer custo, encontrar um tratamento que devolva a visão de sua filha – cega desde a infância – independentemente dos métodos adotados, dolorosos sou não. Após inúmeras tentativas infrutíferas, Paradis passa a ser tratada pelo renomado médico e magnetizador – Dr. Franz Anton Mesmer (Devid Striesow), entre os anos 1776 e 1777. Surpreendentemente, as técnicas de impostação de mãos e massagem de Mesmer habilitam Paradis ao início do resgate do sentido da visão, ao mesmo tempo que, a sua habilidade, como pianista, tem audíveis sinais de declínio – até que a cegueira reassume seu lugar, junto à protagonista, em caráter permanentemente, cedendo lugar para a retomada do seu dom como instrumentista.

O intencional olhar da direção de Barbara Albert incorpora situações instigantes junto ao indescritível método de associação entre magia e ciência, conferindo, ao longa, uma aparência exótica, mas longe de qualquer objetividade – correndo o risco de desviar a atenção do espectador, da tela, para si mesmos. Em função de um subjetivo fortalecimento pelo seu visual e sensibilidade estética, durante noventa e sete minutos de projeção, o espectador é convidado a percorrer sequências de salas rococós, adornadas por exuberantes pinturas murais, por entre as quais, a humanização dos personagens é evidenciada pelos delicados retoques faciais do visagismo e pela ostentação de um figurino de época impecável. 

Enquanto isso, a protagonista segue a sua jornada traçada pelos seus pais, ameaçando “Mademoiselle Paradis” com a perda da força do drama, fomentada pela evocação das arbitrariedades de uma classe social, de um sistema de saúde e de uma política por detrás dos avanços médicos – uma intrincada teia de confrontos entre o poder e o bem estar.

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