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terça-feira, 28 de maio de 2019

Em Nome do Filho



O universo sensual e desesperançoso regado a burlescas performances musicais

Longe de ser, simplesmente, um drama identificável somente no âmbito da comunidade gay, o espetáculo “Em Nome do Filho” explora as motivações decorrentes da testosterona e sua conexão erodida da consciência heteronormativa cega e com lampejos de desejos GLBTS.

A profundeza perspicaz do texto de Dolores DelRio destaca, de forma genuína, o excesso de decadência em meio a que ainda alguns homossexuais se propõem a viver. A generosa direção de Marco Miranda respeita a homogeneidade dos atores Bruno Islam, Pietro Benvenutti, Anderson Lopes, Gabriel Morgato e Douglas Dgym, sem fazê-los sucumbir frente às divertidas atuações de Gustavo Azaranys e Luis Xaxu, que não se permitem perder diante do protagonismo de DelRio.

A personagem principal classifica a sauna gay ‘Brasil Dourado’ – sob sua direção e onde toda a história se desenrola – como ‘puteiro’, cuja concepção cenográfica – fidedigna à realidade decadente de muitos dos estabelecimentos existentes em grandes centros – reproduz o universo sensual e desesperançoso regado a burlescas performances musicais de travestis, drag queens e go-go boys. Até mesmo os deslizes do desenho de luz e da sonoplastia – explorados pelos atores como deixas para a introdução de cacos no espetáculo – conferem a “Em Nome do Filho” a chance de alcançar o status de drama, mesmo contemplando um humor de gueto. A ideologia de troca e de mais-valia, referente ao câmbio oficial dentro da sauna em questão, é o sexo, que se apresenta como a moeda mais valorizada para os personagens, muito embora todos aparentem preferir afeto, como troco – afinal de contas, o ser humano não se define, exclusivamente, a partir da forma de expressão de sua sexualidade.

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