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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rocketman - o espectador cinematográfico pode testemunhar uma das mais genuínas cinebiografias de um astro pop



Transporta o espectador em meio a uma viagem lisérgica – não óbvia

Durante gratificantes cento e vinte minutos, o espectador cinematográfico pode testemunhar uma das mais genuínas cinebiografias de um astro pop – “Rocketman” reconstitui a vida de Elton John, no período compreendido desde a sua infância até a sua reabilitação contra as drogas e o alcoolismo.

Na linha do tempo, Reg Dwight (nome de batismo do protagonista) é interpretado por Matthew Illesley enquanto criança, por Kit Connor na adolescência e por Taron Egerton, já na fase adulta. Ao longo desse segmento temporal, a ausência de amor na vida de Dwight se faz presente, de forma implacável, a começar pelo tratamento que lhe é dispensado por seu pai (Steven Mackintosh) como se filho dele, o jovem Dwight, não o fosse. Sua mãe, incorporada por (Bryce Dallas Howard), nada faz além de dispensar fragmentos de seu tempo à prática de momentos de afeição, sem qualquer aprofundamento, e a por em prática o desprezo que tem para com o filho, sem dó nem piedade, imputando ao seu nascimento, toda a culpa pela falência do seu casamento. Apoio mesmo, somente por parte de sua avó (Gemma Jones) que, além de olhá-lo com toda a ternura que uma criança merece, percebe seu talento nato para a música e lhe consegue uma bolsa de estudos para que pudesse aprimorar as suas habilidades com o piano, na Royal Academy of Music.

O escopo da direção de Dexter Fletcher retrata-se substancialmente equilibrado, ao tratar a melancólica história de sucesso do artista desde os anos 1970, até a sua reabilitação contra as drogas nos idos 1990.  Sincronizadas pelos maiores sucessos do artista que se auto batiza com o nome artístico Elton John, as músicas desenham, de maneira digna e pungente, temas como: promessa de uma carreira sucesso, parceira profissional, homossexualidade, drogas e álcool, hedonismo, compulsão pelas compras, desequilíbrio emocional e reabilitação – sem deixar qualquer um de seus percalços à sombra e sem lançar mão de clichês biográficos. A história de amor tecida por Fletcher, através do brilho dos olhares de Elton John e Bernie Taupin (Jamie Bell) – letrista dos maiores sucessos do protagonista – consagrada, a intimidade fraterna entre os parceiros e a construção humana do ídolo pop, quando a letra e música se fundem, dando origem ao sucesso de “Your Song”.

"Rocketman" transporta o espectador em meio a uma viagem lisérgica – não óbvia na grande tela, mas através dos meandros obscuros da mente do protagonista, sob o comando de Taran Egerton, possuído pela essência do protagonista, trajando uniforme alusivo a uma ave demoníaca que choca a tudo e a todos – tendo como ponto de partida uma sessão de reabilitação para dependentes químicos. O destino fica por conta de quem ingressou na viagem, podendo terminá-la onde bem entender ou, simplesmente, seguir em frente, mas levando consigo um apelo por um modo distinto de amar – como declamado em ‘I Want Love’ por Sir Elton John.

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