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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Divino Amor - Um sinal de alerta para um obscuro futuro para o qual o país está sendo conduzido



Um sinal de alerta para um obscuro futuro para o qual o país está sendo conduzido

Como se, a partir de um olhar remoto, uma criança relata, em ‘off’, uma história que se passa em 2027, num Brasil que, segundo ela, havia passado por uma transformação e que a festa mais ansiada pelo povo não seria mais o Carnaval, mas as raves religiosas estatizadas. A cena se passa em meio a uma dessas festas, onde iluminação e som se impõem como agentes perturbadores – levando o espectador se questionar a partir de quando essas mudanças teriam sido, marcantemente, deflagradas.

As imagens sensuais traduzidas pelo olhar inflexível de Gabriel Mascaro alicerçam, sob sua direção, uma ficção científica erotizada, tendo como pano de fundo um regime evangélico conservador de extrema direita. Um regime que toma de assalto a população brasileira que, privada de sua individualidade e de sua privacidade, dispõe a sua vida ao ato de amar a Deus. Aqueles que não se enquadram ao sistema, padecem com o excesso de burocracia que lhes recaem de forma exponencial e inversamente proporcional ao amor e ao temor que prestam ao “Senhor nosso Deus”.

O seleto elenco de “Divino Amor” serve de alicerce a uma busca incessante, pela maternidade, por Joana, performada pela talentosa Dira Paes, definindo o fio condutor do filme de Mascaro, em meio aos absurdos de um futuro que espelha um Brasil onde os direitos humanos encontram-se tão dilacerados quanto atualmente ameaçados pela liderança de pregadores evangélicos empossados como ministros. O longa é um sinal de alerta para um obscuro futuro para o qual o país está sendo conduzido. A atual leitura biométrica digital, da íris e da face ocupa um patamar primitivo se comparada com o escaneamento dos indivíduos ao atravessarem portais comerciais e institucionais, a partir dos quais têm suas informações pessoais e orgânicas expostas a qualquer um que direcione o seu olhar para o monitor à serviço daquela exposição invasiva, outrora considerada privada e inviolável. O atendimento psicológico é prestado por um “confessionário” travestido de “Drive-Thru da Fé”, onde um pastor presta seu serviço de orientador espiritual, arrematado por um canto gospel ao final do atendimento, cujo acesso é controlado por um terminal de cobrança.

Uma sinopse mais detalhada do longa sugere spoiler e priva o espectador de se surpreender com o seu conteúdo absurdamente inusitado. Mas classificar a produção como algo assustador funciona como um despertar de interesse pelo tema, com vistas à constatação do desenho de um quadro tão nefasto para um País onde, até mesmo a chegada de um Messias serve, apenas, como um embrulho com vistas à sedimentação do retrocesso humano.

Turma da Mônica – Laços


Parafraseando o formato verbal concedido ao Cebolinha pelo seu criador – ‘sulpleendentemente’, o live action nacional com elenco cem ‘pol’ cento humano – ‘galante’ momentos ‘celteilos’  de ‘divelsão’ ‘pala’ todas as ‘gelações


Uma trama, elementar e emotiva, que se resume no sumiço do Floquinho, mobilizando o grupo de inseparáveis amigos – Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, criação do cartunista Maurício de Sousa – partir em busca do encantador cãozinho de pelos verdes.

Baseado na obra homônima de autoria de Lu e Vitor Cafaggi, lançada em junho de 2013, primeiro volume da trilogia que se completa com ‘Turma da Mônica – Lições’ (julho, 2015) e ‘Turma da Mônica – Lembranças’ (dezembro, 2017), o longa ‘Turma da Mônica – Laços’, sob a talentosa direção de Daniel Rezende, faz parte de um ousado, ao mesmo tempo, promissor projeto, com capacidade de despertar a curiosidade e a atenção de crianças, adolescentes e adultos, adaptando o Graphic Novel ao Live Action.

Um projeto que evolui desde o início dos anos 1960, a partir de tirinhas de jornais, passando pela publicação da primeira revista em quadrinhos da Mônica, em 1970 que, ano após ano, prolifera uma série de novos gibis repletos de personagens, inéditos e antigos. A veia empresarial de Maurício de Sousa não lhe permite acomodar-se com as origens de suas criações e lhe impõe algo muito além do marketing e do lançamento de produtos - a evolução dos traços dos personagens e da vibe demandada pela linha do tempo de seus leitores - transportando seus “filhos” para os universos baby, toy e jovem. Por sua vez, a trilogia dos Cafaggis faz parte de um projeto que se desenvolve segundo um espectro mais amplo denominado Graphic MSP, pela Mauricio de Sousa Produções, contemplando histórias dos personagens consagrados, repaginados por artistas brasileiros, em aventuras que se diferenciam do padrão das revistas, conforme conhecidas até então. Os Graphic MSP têm sua origem nas Graphic Novels, que reúne 25 publicações desde 2012 até o fim de 2019.

Mas nem só de brilhantes direções dependem as produções que farejam o sucesso, mas também do potencial dos atores na incorporação de seus personagens e na capacidade de encantar, não somente os já consagrados fãs dos quadrinhos, como também, a futura legião de amantes da Turma da Mônica, em potencial. A naturalidade com que Giulia Benite se entrega, tanto ao detonar a valentia e o pavio curto da dona da rua quanto ao demonstrar seus não raros rompantes de afetividade, reveste a personagem com um manto de humanidade cativante. Gabriel Moreira, timidamente, desenha o menino tomado por um pavor patológico a água – seja na forma de chuva, de poça ou de banho – e, até o final do filme, vai conquistando o seu espaço e convencendo, cada vez mais, os fãs do Cascão. A compulsiva alimentar digerida por Laura Rauseo dá o tom de comédia rasgada ao longa, com a sua Magali – cativante e responsável por grande parte dos momentos hilários junto à plateia. Dono do Floquinho, cheio de planos infalíveis e que, por muitas vezes, faz jus ao seu pleito em intitular o grupo de ‘A Turma do Cebolinha’ – o engenhoso menino de cabelos espetados é um show à parte, estrelado pelo talentoso Kevin Vechiatto. A liberdade poética presente na Graphic Novel é identificada quando o Louco – assumido, insanamente, por Rodrigo Santoro – filosofa com o eterno antagonista e crush da Mônica, em busca de seu cachorro, sob a mesma habilidade que Rezende lança mão para lembrar aos fãs do quarteto que, nos quadrinhos, Cebolinha é o único a usar sapatos, enquanto os demais, estão sempre descalços.


Parafraseando o formato verbal concedido ao Cebolinha pelo seu criador – ‘sulpleendentemente’, o live action nacional com elenco cem ‘pol’ cento humano – ‘galante’ momentos ‘celteilos’  de ‘divelsão’ ‘pala’ todas as ‘gelações.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Toy Story 4 - a certeira continuidade da franquia que encanta e emociona


A certeira continuidade da franquia que encanta e emociona gerações, de todas as idades, há quase vinte anos


Quarto longa de animação em 3D da franquia Toy Story, produzido pelos estúdios Disney e Pixar, Toy Story 4, com direção assinada pelo cineasta, dublador e roteirista estadunidense Josh Cooley, dá sequência ao ról de sentimentos e valores que aditivam o lúdico presente nas histórias, desde o primeiro filme, lançado em 1995, tais como: insegurança, medo do abandono e da troca, ciúmes, inveja, traição, lealdade, arrependimento e resignação - envolvendo, em especial, os brinquedos protagonistas o Xerife Woody e o patrulheiro espacial Buzz Lightyear, que pertencem ao menino Andy, na ocasião, com seis anos de idade. Em Toy Story, o antagonismo fica por conta do menino Sid, cujo desvio de comportamento faz com que se diverta a partir do desmonte de brinquedos para transformá-los em composições bizarras.

Em Toy Story 2, o trauma frente ao abandono dos brinquedos por seus donos toma proporções ainda maiores, associado à vaidade, ao egocentrismo e à ganância, quando Woody se depara, fortuitamente, com uma coleção relacionada com o programa de TV dos anos 1950 – ‘O Rodeio de Woody’ – do qual o Xerife era a estrela. Essa descoberta está associada ao momento em que o brinquedo de Andy conhece a vaqueira Jessie, o cavalo Bala no Alvo e Mineiro – também conhecido como Pete Fedido, o vilão da história. Nessa sequência, o sentimento de abandono real é deflagrado, a partir da tristeza carregada por Jessie, cuja dona a entrega para doação, conduzindo a mensagem que a razão de ser de qualquer brinquedo é ser amado por uma criança.

A terceira animação da franquia enfoca o desapego de Andy - um adolescente ingressando na fase adulta - pelos seus brinquedos e no futuro desses com destino ao sótão ou à doação, ou ao lixo. Novamente, o acaso conduz os brinquedos de Andy para uma creche, à título de doação, onde a ilusão, a decepção e a conspiração se materializam em Lotso – um urso de pelúcia cor-de-rosa com cheirinho de morango, o vilão da vez. Insere-se, na sequência, Bonnie – uma das crianças da creche, eleita para ser a nova dona dos brinquedos de Andy, a partir de um mais que emocionante gesto de generosidade, desapego e confiança entre gerações, ao final do filme.

Toy Story 4 confere limites à máxima, adotada até Toy Story 3, de que todo brinquedo deve ser amado por uma criança e que, em contrapartida, deverá tomar conta daquela criança, incondicionalmente. A franquia resgata, do passado, o destino tomado por Betty - a pastorinha de porcelana e antiga namorada de Woody que compunha o abajur de mesa do quarto de Molly – a irmã caçula de Andy – juntamente com a ovelha de três cabeças – Mariel, Muriel e Abel. Emancipada e dona de si, Betty vive sem suas aventuras e sem amarras a qualquer criança.

Enquanto isso, Woody, ainda como brinquedo de Bonnie, ratifica sua lealdade e sua ideologia sobre os direitos e os deveres dos brinquedos, ao preservar a autoconfiança de sua dona, quando de seu ingresso em nova série da escola, auxiliando-a a montar um novo brinquedo, a partir de restos de recicláveis, catados na lata de lixo. Pronto! – o monstruoso, mas carismático e hilário Garfinho é criado, levado por Bonnie para casa e ganha vida sob o questionamento sobre o que faria daquela composição de lixo um brinquedo.

Novamente, a maldição do brinquedo perdido se faz presente, dessa vez, envolvendo Garfinho, cabendo a Woody a difícil missão de trazê-lo de volta para sua dona, coadjuvado pelos personagens dos filmes anteriores e por novos personagens, cujo antagonismo, dessa vez, fica por conta da boneca Gabby – um brinquedo que não acredita na sua capacidade de conquistar uma criança por conta de sua caixa de voz danificada.

Surpreendentemente, chega a vez de Woody reavaliar seus conceitos sobre sua vida enquanto brinquedo - com a essencial ajuda de Betty - promovendo um ponto de inflexão à linearidade dos roteiros, até então, desenvolvidos, mas garantindo o sucesso conquistado até Toy Story 4, a certeira continuidade da franquia que encanta e emociona gerações, de todas as idades, há quase vinte anos.



Iroko - Meu Universo - Sem qualquer compromisso de conferir ao público um conto que se fecha


Sem qualquer compromisso de conferir ao público um conto que se fecha, muito menos um final feliz


O tempo que segue, à galope, muitas vezes trôpego, mas sempre concedendo uma multiplicidade de tons à vida é materializado, aos olhos do espectador, na dramaturgia assinada por Jeff Fagundes, “Iroko - Meu Universo”. Um dos Orixás mais antigos, Iroko representa o tempo e rege a Ancestralidade. Considerado a primeira árvore plantada na terra, por onde desceram todos os Orixás, representa o líder de todos os espíritos das árvores sagradas.

Não se permitindo limitar-se ao processo conceptivo do espetáculo, Fagundes assume o elenco do monólogo e se torna solo fértil ao enraizamento da percepção do espectador, que sorve, sem pudor e com muito prazer, a história de um menino que desbrava o universo humano e descobre a sua real identidade. A qualidade rastreada pela direção corporal de Palu Felipe dá à luz um balé indolente e arrastado, moroso e pesado, em total sintonia com o fecundo adubo que, sedento por sol, evidencia as ervas daninhas que crescem ao seu redor. A direção musical fica por conta de Pedro Moragas que, apesar de oxidar o sentido da audição do espectador, involuntariamente o lança ao encontro do preciosismo do texto, envolvendo a plateia com a sua aura incensada com fragrância de folhas mortas. O simbolismo sacro é fortemente definido pelo projeto cenográfico e pelo figurino de Bidi Bujnowski que, de forma minimalista, natural e reciclável, recobrem o habitat de Iroko e o corpo do protagonista, em total sintonia com a dimensão de tempo e espaço definida pelo desenho de luz de Jorge Oliveira, que domina o espaço cênico e mantém o espectador atento à interpretação ontológica de Fagundes.


Sem qualquer compromisso de conferir ao público um conto que se fecha, muito menos um final feliz, a história se encerra com a corruptela de “era uma vez”, apresentando a vez de um jovem em busca do caminho que possa conduzi-lo à liberdade de viver, apesar do infindável confronto com os limites que o mantém no eterno combate à discriminação racial.

Santiago, Itália - um longa nitidamente clássico e sem desvios capazes de classificá-lo como um filme híbrido

Um longa nitidamente clássico e sem desvios capazes de classificá-lo como um filme ‘híbrido’



Chile 1973 – a embaixada italiana em Santiago apoia centenas de opositores ao golpe de estado, deflagrando a gênesis de décadas de ditadura militar naquele país.

A partir desse episódio, o generoso olhar de Nanni Moretti conduz a essência de seu trabalho como diretor cinematográfico e formata o documentário “Santiago, Itália” como um longa nitidamente clássico e sem desvios capazes de classificá-lo como um filme ‘híbrido’. A imparcialidade contida nas entrevistas destaca a falta de conflito intelectual num material que deveria ser abrangente e não, conscientemente inconsistente e, por isso mesmo, alguns momentos são capazes de entorpecer o espectador – principalmente quando se coloca Salvador Allende contra Pinochet e liberdade versus repressão.

Somente a partir dos últimos minutos do documentário, o título faz jus à película ao deslocar a atenção do espectador para a embaixada italiana em Santiago – local fundamental para o refúgio de cerca de duzentos e cinquenta pessoas, após a transição brutal da democracia para a ditadura no país sulamericano.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

“Disney On Ice - Em Busca dos Sonhos” - coletiva de imprensa nas dependências da Jeunesse Arena Rio de Janeiro




Coletiva de imprensa nas dependências da Jeunesse Arena, com inusitada e exclusiva mostra interativa de algumas das alegorias e adereços cênicos e figurinos originais do espetáculo

A produção de “Disney On Ice - Em Busca dos Sonhos” realiza na manhã de quarta-feira, dia 12 de junho de 2019, uma coletiva de imprensa nas dependências da Jeunesse Arena, com inusitada e exclusiva mostra interativa de algumas das alegorias e adereços cênicos e figurinos originais do espetáculo, além de croquis conceptivos de cenas e de vestimentas do espetáculo.


A abertura do evento fica por conta do Diretor Executivo da Opus Promoções (Versione Souza) em companhia do representante da Feld Entertainment – ambas empresas responsáveis pela realização do espetáculo, que conta com o patrocínio Gold do programa de fidelidade dos postos Ipiranga – Km de Vantagens.

Ainda durante a abertura do evento, patinadores animam jornalistas e youtubers para os acompanharem numa coreografia básica, como um pré-aquecimento visando ao máximo impacto de suas matérias.

Com estreia prevista para o mesmo dia da coletiva, a temporada 2019 de Disney On Ice, que acontece na arena multiuso localizada no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, leva aos espectadores, de todas as gerações, a coreografia sobre o gelo com base em animações dos estúdios Disney contemplando as histórias de “A Bela Adormecida”, “A Bela e a Fera”, “A Pequena Sereia”, “Aladdin”, “Cinderela”, “Enrolados”, “Frozen”, “Moana” e “Viva”. O espetáculo, com 110 minutos de duração, é conduzido por um elenco de 21 patinadores – dentre os quais, o brasileiro Mário Castro, que já faz parte do cast desde 1994 – e 25 patinadoras de 15 nacionalidades, sobre uma pista de gelo de 756 m2. Um total de 750 peças de figurino caracteriza os personagens em meio a 200 adereços que, conjugados à boca de cena de 12m x 12m, estão na mira de um desenho de luminotecnia cênica que conta com 898 equipamentos de luz, embalados por 42 caixas de som, totalizando 50.000W de potência sonora instalada, acrescidos de 65 números de efeitos sonoros, ao vivo, durante o espetáculo.

No final do evento, a produção surpreende a todos com a entrada em cena de Mickey e Minnie Mouse para uma sessão de fotos com todos os representantes da imprensa, como um mimo aos inegáveis fãs do eterno casal de camundongos e um tributo a esse 12 de outubro – dia dos namorados.

A superprodução finaliza a sua temporada, na cidade do Rio de Janeiro, em 16 de junho de 2019