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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Turma da Mônica – Laços


Parafraseando o formato verbal concedido ao Cebolinha pelo seu criador – ‘sulpleendentemente’, o live action nacional com elenco cem ‘pol’ cento humano – ‘galante’ momentos ‘celteilos’  de ‘divelsão’ ‘pala’ todas as ‘gelações


Uma trama, elementar e emotiva, que se resume no sumiço do Floquinho, mobilizando o grupo de inseparáveis amigos – Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, criação do cartunista Maurício de Sousa – partir em busca do encantador cãozinho de pelos verdes.

Baseado na obra homônima de autoria de Lu e Vitor Cafaggi, lançada em junho de 2013, primeiro volume da trilogia que se completa com ‘Turma da Mônica – Lições’ (julho, 2015) e ‘Turma da Mônica – Lembranças’ (dezembro, 2017), o longa ‘Turma da Mônica – Laços’, sob a talentosa direção de Daniel Rezende, faz parte de um ousado, ao mesmo tempo, promissor projeto, com capacidade de despertar a curiosidade e a atenção de crianças, adolescentes e adultos, adaptando o Graphic Novel ao Live Action.

Um projeto que evolui desde o início dos anos 1960, a partir de tirinhas de jornais, passando pela publicação da primeira revista em quadrinhos da Mônica, em 1970 que, ano após ano, prolifera uma série de novos gibis repletos de personagens, inéditos e antigos. A veia empresarial de Maurício de Sousa não lhe permite acomodar-se com as origens de suas criações e lhe impõe algo muito além do marketing e do lançamento de produtos - a evolução dos traços dos personagens e da vibe demandada pela linha do tempo de seus leitores - transportando seus “filhos” para os universos baby, toy e jovem. Por sua vez, a trilogia dos Cafaggis faz parte de um projeto que se desenvolve segundo um espectro mais amplo denominado Graphic MSP, pela Mauricio de Sousa Produções, contemplando histórias dos personagens consagrados, repaginados por artistas brasileiros, em aventuras que se diferenciam do padrão das revistas, conforme conhecidas até então. Os Graphic MSP têm sua origem nas Graphic Novels, que reúne 25 publicações desde 2012 até o fim de 2019.

Mas nem só de brilhantes direções dependem as produções que farejam o sucesso, mas também do potencial dos atores na incorporação de seus personagens e na capacidade de encantar, não somente os já consagrados fãs dos quadrinhos, como também, a futura legião de amantes da Turma da Mônica, em potencial. A naturalidade com que Giulia Benite se entrega, tanto ao detonar a valentia e o pavio curto da dona da rua quanto ao demonstrar seus não raros rompantes de afetividade, reveste a personagem com um manto de humanidade cativante. Gabriel Moreira, timidamente, desenha o menino tomado por um pavor patológico a água – seja na forma de chuva, de poça ou de banho – e, até o final do filme, vai conquistando o seu espaço e convencendo, cada vez mais, os fãs do Cascão. A compulsiva alimentar digerida por Laura Rauseo dá o tom de comédia rasgada ao longa, com a sua Magali – cativante e responsável por grande parte dos momentos hilários junto à plateia. Dono do Floquinho, cheio de planos infalíveis e que, por muitas vezes, faz jus ao seu pleito em intitular o grupo de ‘A Turma do Cebolinha’ – o engenhoso menino de cabelos espetados é um show à parte, estrelado pelo talentoso Kevin Vechiatto. A liberdade poética presente na Graphic Novel é identificada quando o Louco – assumido, insanamente, por Rodrigo Santoro – filosofa com o eterno antagonista e crush da Mônica, em busca de seu cachorro, sob a mesma habilidade que Rezende lança mão para lembrar aos fãs do quarteto que, nos quadrinhos, Cebolinha é o único a usar sapatos, enquanto os demais, estão sempre descalços.


Parafraseando o formato verbal concedido ao Cebolinha pelo seu criador – ‘sulpleendentemente’, o live action nacional com elenco cem ‘pol’ cento humano – ‘galante’ momentos ‘celteilos’  de ‘divelsão’ ‘pala’ todas as ‘gelações.

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