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quarta-feira, 31 de julho de 2019

No Coração do Mundo



Uma singular, despretensiosa, porém, zelosa produção cinematográfica, digna de se tornar uma promissora sequência


Uma canção de Lara Fabian – ‘Love By Grace’ – marca o início do longa “No Coração do Mundo” porém, interrompida por estampidos de tiros, numa comunidade do município mineiro de Contagem – região metropolitana de Belo Horizonte - MG. Um roteiro estruturado pela vida que passa na periferia mineira, amplamente abalizado por Gabriel e Maurilio Martins, que também assinam a direção entrelaçada que definem um quadro, no qual a humanidade, mesmo em ambientes hostis, criam laços e formam sociedades paralelas do morro e do asfalto.
 
A ilustrada história de cada personagem faz com que o longa flua de modo multifário, permitindo o espectador entranhar-se nos anseios dos protagonistas e nivelar a balança com dosagem equilibrada entre o bem e o mal – muito embora, isento de qualquer parâmetro capaz de estabelecer e distinguir diferenciais entre um e outro.
 
Um jovem que não se esforça em se meandrar entre doçura, violência e desespero – vive aplicando golpes e cometendo pequenos delitos, até o dia em que uma velha conhecida lhe propõe fazer parte de um plano que irá mudar a vida de ambos. Mas para viabilizar a trama, o delinquente deve convencer sua namorada – uma cobradora de ônibus que sonha vencer na vida, de forma lícita – a participar da ação, cujo retorno equivale a tirar a sorte grande.
 
As agruras dos protagonistas são embaladas por uma seleta trilha sonora, envoltas por um minucioso desenho de som, impossível de passar por despercebido, assinado por Tiago Bello e Marcos Lopes, e imortalizadas pela fotografia de Leonardo Feliciano – uma singular, despretensiosa, porém, zelosa produção cinematográfica, digna de se tornar uma promissora sequência.


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