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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bacurau



Em coerência com atualidade brasileira


Uma produção cinematográfica que revela, como um de seus motes, uma visão profética com foco na rota assumida por uma nação, a partir de uma governança movida pela dissidência sócio econômica – “Bacurau’ pontua o ódio ideológico e político do atual quadro Brasileiro.

O título possui vários significados – podendo remeter a um pássaro noturno, como também uma pessoa habituada a sair somente à noite. Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles dirigem o longa, determinados a defender o seu ponto de vista político, em coerência com atualidade brasileira – impactando o espectador, muitas vezes, de forma alucinadamente perturbadora.

Num futuro próximo, uma pacata vila rural, chamada Bacurau, luta pela sobrevivência, logo após o corte do abastecimento de água pelas autoridades. Sem qualquer suporte do político corrupto local, que oferece alimentos e drogas contrabandeadas vencidas como suborno para os habitantes, a região tem a cobertura de telefone celular bloqueada e a vila é, misteriosamente, eliminada dos mapas da internet. Seguidamente, a população  vizinha a Bacurau passa a ser dizimada por um grupo de turistas americanos, assustadoramente racistas, como em um patológico safári, a partir do qual a ordem social é o massacre de seres humanos, com o risco de se tornar uma atividade transacional e recreativa para uma boa parte dos políticos em atividade.

O longa adota um tom excêntrico, exatamente para denunciar, de maneira inequívoca, a extrema-direita brasileira e a obviedade de suas intenções frente às minorias. “Bacurau” avança como um discurso anti-imperialista e com o espírito insurgente de resistência, a com base nos quais seus habitantes empunham a bandeira da luta e respondem à altura, até varrer a ideia de ódio e de morte contida nos discursos separatista em Bacurau.

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