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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Brinquedo Assassino




A atual e politizada versão de “Brinquedo Assassino” conduz o olhar do espectador para muito além do humor violento

Uma sátira de terror com requintes de perversão e ranço de frugalidade, do final dos anos 1980, é rebootada com o mesmo título, em plena era digital, marcada pelo desenvolvimento da robótica e do consumismo desenfreado.

Na porta de uma loja de brinquedos, consumidores enfileirados se mostram ávidos para comprar bonecos Buddi, fabricados pela fictícia vietnamita Kaslan,  programáveis via conexão internet, permitindo crianças encontrarem companhia com uma animatrônica desenvolvida para unir a tecnologia ao homem, de forma mais humanizada. Contudo, durante o processo de produção em série dos bonecos, um operário descontente com o tratamento recebido de um seus superiores, nos moldes da exploração do trabalho escravo, desprograma as censuras de fábrica de um dos bonecos.

Desse ponto em diante, a atual e politizada versão de “Brinquedo Assassino” conduz o olhar do espectador para muito além do humor violento e do trashismo, presentes nas seis sequências produzidas de 1988 a 2017. A direção de Lars Klevberg insere a violência com ares  de ironia e mostra como a evolução da ferocidade em cada ser humano, desde a sua tenra infância até a maturidade, dispensando a evocação de espíritos e seres mágicos sobrenaturais.

O alcance emocional e reflexivo sobre a inteligência artificial contemplado pela atual versão transita entre o assustador e o obsessivo e pula para a doçura e a inocência, mantendo a essência humana, seja ela doentia ou sã. Um regalo para os fãs de Chucky – o boneco assassino, as mortes mantém-se crudelíssimas e atualizadas pela criatividade.

O derramamento de sangue em conjunto com o caos divertido presentes nas aventuras do serial killer de 1988 continuam na releitura de 2019, com um diferencial – estimulando o pensamento sobre o que pode haver de tão divertido na pérfida crueldade incrustada na natureza humana.

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