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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Meu Amigo Enzo



Subestima a totalidade dos personagens humanos e compromete a essência humana dada ao labrador pensador que exacerba na emotividade


Para o espectador que tem interesse na perspectiva de entendimento de um cachorro sobre a morte, o longa “Meu Amigo Enzo” cumpre o seu papel, sem qualquer embasamento científico, mas repleto de clichês capazes de levar, aos prantos, qualquer indivíduo que seja tutor de um animal ou por eles cultivam estima. 

Tudo por conta da história de um piloto de corrida que, um dia, decide adotar um filhote de cachorro e chamá-lo por Enzo, em homenagem ao fundador da Scuderia da Ferrari e da fábrica de automóveis do mesmo nome. Com o passar dos anos, a amizade entre homem e animal sofre profundas mudanças quando o humano, se apaixona por uma jovem e com ela se casa e, juntos, concebem uma linda menina.

A direção de Simon Curtis retrata o amor que os animais domésticos despertam nos humanos, ao mesmo que tempo revela a vulnerabilidade desses mesmos seres frente a mudanças, a perdas e a alegrias que, nem sempre, encontram respostas ou alentos em um outro ser humano.

Curtis aposta na adoção do papel de narrador da história pelo próprio Enzo, pondo em risco a credibilidade do roteiro pelo espectador não tão aficionado pelo universo dos pets, já comprometido pela previsibilidade do enredo. “Meu Amigo Enzo” subestima a totalidade dos personagens humanos e compromete a essência humana dada ao labrador pensador que exacerba na emotividade, sem naturalidade.

Lamentavelmente, o longa baseado no romance literário ‘The Art of Racing in the Rain’ de Garth Stein – por sua vez, contemplado pela feliz simbiose entre mágica e intuição – não ostenta as mesmas qualidades do livro, a ponto de fazer guardar na memória as imagens e os relatos do labrador que sonha em ser humano, vistas e ouvidas dentro da sala de projeção.

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