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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Ad Astra - Rumo às Estrelas



Admiravelmente metódico, futurista, triste e reflexivo, em meio a uma atmosfera sombria, indagativa e desconstrutiva do ser


Num futuro próximo, o visionarismo se faz vitorioso, mais uma vez, na história da humanidade, possibilitando a recriação de um novo lar, longe de todas as mazelas que vêm assolando o planeta Terra, decorrentes do retrocesso e pela desordem. Viagens espaciais se tornam tão banais a ponto de refletirem cenas do cotidiano terrestre em solo lunar que, apesar da incredulidade dos fatos pelos menos esclarecidos, em 21 de julho de 1969, foi pisado, pela primeira vez, pelos astronautas norte-americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Incrédulos que, na contramão dos avanços da ciência desde a Idade Média, em alguns pontos do planeta, atualmente, põem em cheque, até mesmo, a sua forma geométrica.

O major do Comando Espacial da agência do Governo Federal dos Estados Unidos da América – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço – McBride (Brad Pitt) faz da Lua um trampolim para chegar a Netuno, onde seu pai – Clifford (Tommy Lee Jones), se encontra em órbita, em uma estação espacial, há trinta anos. Sua meta – localizá-lo e entregar-lhe uma mensagem da NASA. Durante o percurso origem-destino, a viagem de McBride se desdobra e o impulsiona numa imersão em autoconhecimento. A lentidão associada às conexões emocionais obtusas, contidas na direção de James Gray, confere ao filme “Ad Astra – Rumo às Estrelas” gravame, acepção e magnificência sobre questões do universo interior e exterior do ser humano, resgatando estilos cênicos e questionamentos kubrickianos e asimovianos, do final dos anos 1960.

O desenrolar suave e enganosamente simples do longa é admiravelmente metódico, futurista, triste e reflexivo, em meio a uma atmosfera sombria, indagativa e desconstrutiva do ser. O viés filosófico especulativo, robusto e impetuoso é forte o suficiente para envolver o espectador a ponto de abstraí-lo dos efeitos especiais e demovê-lo de qualquer expectativa pelo surgimento de uma criatura extraterrena, monstruosa e ameaçadora.

De fato, “Ad Astra – Rumo às Estrelas” está longe de ser um filme, essencialmente, de ficção científica, mas carregado de entrelinhas que devem ser digeridas pelo espectador, de modo a lhe permitir uma compreensão da vida, muito maior do que seus olhos podem ver o que se passa na tela.

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