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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Hebe – A Estrela do Brasil



O foco das atenções para assuntos ligados à política, à sexualidade, ao racismo, ao machismo e ao movimento feminista

Um filme engajado com a pauta de temas, infelizmente, ainda muito atuais – preconceito e censura – sob direção de Maurício Farias que, anacronicamente, elege o ano de 1985 e o rebate no plano de 2019, fixando o espectador no eixo de simetria. O ousado e voluntário confronto temporal, embora envolva o longa com ares de melancolia, seduz o espectador ao definir o foco das atenções para assuntos ligados à política, à sexualidade, ao racismo, ao machismo e ao movimento feminista.

O ringue dessa peleja é identificado no roteiro assinado por Carolina Kotscho que, longe de se tratar de uma cinebiografia segundo os padrões tradicionais, discorre sobre um determinado segmento da vida da apresentadora, cantora, radialista, humorista e atriz – Hebe Camargo. Um período em que debates ao vivo realimentam as chamas fascistas da ditadura brasileira que acabara dar lugar à retomada de um processo democrático. Um breve hiato de tempo durante o qual, a "Rainha da Televisão Brasileira" decide se poupar dos holofotes para dedicar uma fração maior de seu tempo ao relacionamento familiar.

“Hebe - A Estrela do Brasil” brilha, não somente pelo cintilar das jóias, dos vestidos e do cenário da apresentadora, mas a começar pelas impecáveis interpretações de todo o elenco – em especial, Andréa Beltrão que, consegue levar para as telas a essência de uma Hebe Camargo que se traduz no olhar, no gestual, no porte, no andar e na humanidade da protagonista. De tudo isso, não se pode omitir o indissociável peso da direção de fotografia e de iluminação no crescimento dos personagens coadjuvantes, com rara dignidade.

Em ritmo conciso, “Hebe - A Estrela do Brasil” se faz presente, nos tempos atuais, como um brado de esperança, em ritmo de um tão almejado ‘Começar de Novo’.

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