segunda-feira, 14 de outubro de 2019

O Enigma da Rosa




Instigante ao extremo

A filha mais nova de um casal desaparece e dela, pai, mãe e irmão ficam sem notícias, até o recebimento de uma carta anônima, lhes informando que, para tê-la de volta, em primeiro lugar, o autor da carta deveria ser recebido na casa da família, à noite, sem que as autoridades fossem acionadas. Uma vez na casa, o sequestrador dispõe todos em torno de uma mesa e condiciona a devolução da menina, à revelação de um segredo guardado por um dos membros da família. Desse ponto em diante, um por vez, profere uma passagem da vida, ignorada pelos demais – histórias consideradas pelo sequestrador, como confissões pelas quais não esperava. E a cada uma dessas confissões, o sequestrador aplica ao seu autor a pena da retaliação, até o momento que, enfim, lhe é revelado o segredo pelo qual tanto ansiava.


Apesar do ritmo previsível definido pelo roteiro, como se de um jogo da verdade, em momento algum, “O Enigma da Rosa” se enquadra no hall dos filmes enfadonhos capazes de abater o espectador pelo cansaço, tendo em vista ser instigante ao extremo, ao reunir toda a plateia da sala de projeção em torno da mesa de inquisição, juntamente com os três membros daquela família imersa em confidências e seu enigmático ‘visitante’. Tal crédito se deve ao ritmo definido pela direção de Josué Ramos ao manipular, com maestria, o misto de drama e suspense psicológico, contemplando os segredos ocultos que pululam a partir de uma abordagem fria sobre segredos de família.     

A cada segredo revelado, um castigo na mesma proporção do dano causado – um exercício do “olho por olho, dente por dente” ou do “aqui se faz, aqui se paga”. Dessa forma é conduzido “O Enigma da Rosa” a uma magnitude obscura de preceitos morais e éticos que servem de base estrutural entre pais e filhos - no longa, codificados a partir de um núcleo composto de pessoas unidas por um grau de parentesco e que moram juntas, em uma mesma casa mas, não se constitui, necessariamente, de um lar.

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