terça-feira, 5 de novembro de 2019

Bate Coração



Um conto espírita


Segundo a doutrina espírita, as células humanas são governadas pelas leis da natureza, sob o influxo do espírito, tornando-as, assim, um organismo individualizado. Uma vez retiradas desse organismo, as células voltam à sua condição primitiva, adaptando-se, com certa facilidade, aos organismos para os quais são transplantadas. Um coração retirado, por exemplo, perde a relação com o espírito do doador.

Lançando mão da liberdade poética, o filme “Bate Coração” conta a história de Sandro – um playboy mulherengo, interpretado por André Bankoff, que sofre um infarto em plena noite de réveillon. A alguns quilômetros do evento, a travesti Isadora – vivida por Aramis Trindade – morre em um acidente. O garanhão recebe o coração de Isadora e, dessa forma, ganha uma segunda chance de vida. Desse momento em diante, o diretor e roteirista cearense Glauber Filho atira para todos os lados – em direção à doação de órgãos, à homofobia, ao abandono e ao espiritismo – mas sem a menor intenção de se aprofundar nos assuntos abordados, tornando o filme pouco eficiente como denúncia e raso como serviço social.

Pelo simples fato das constatações hipotéticas, que influenciam a história dos protagonistas, não chegarem a lesionar o bom humor e a moral da história tatibitati, assistir “Bate Coração” não se torna um sacrifício – para quem não espera, do longa, mais do que um conto espírita.

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