terça-feira, 31 de dezembro de 2019

O Caso Richard Jewell



Muito além de uma simples cinebiografia


Richard Jewell – um guarda de segurança em atividade no Centennial Olympic Park de Atlanta, durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1996 – identifica, em meio à multidão, um volume suspeito de conter um dispositivo explosivo, se empenha em evacuar a área e alertar as autoridades, minimizando o número de vítimas fatais e de feridos. Num primeiro momento, aclamado como um herói, Jewell acaba sendo apontado como possível suspeito pelo atentado, pelo FBI. A partir de então, o homem sonhador, fiel aos seus conceitos de integridade moral e profissional, vê a sua privacidade e a de sua mãe, com quem vive sob o mesmo teto, se esvair com a força das acusações e do assédio do público e da imprensa.

Sob a não menos aguardada e surpreendente direção de Clint Eastwood, o filme “O Caso de Richard Jewell” dramatiza fatos reais, resgatando uma história que retrata a moral e a justiça como ícones que representam uma produção cinematográfica, muito além de uma simples cinebiografia. Eastwood denuncia a imprensa como uma instituição que, nem sempre, é fiel ao seu compromisso com a verdade dos fatos, mas com o que o seu leitor deseja como fontes de leitura, mesmo que incondizentes com a realidade – da mesma forma com que a maioria dos governantes fazem com os seus eleitores.

O roteiro desenha uma triste jornada de um homem ingênuo que se torna vítima da imprensa e da justiça corrupta, definida por um sutil viés tendencioso a uma política de direita. Contudo, Eastwood supera a sugestiva afluência formada por atos terroristas, e ideologias político-religiosas, reunindo fatos conflitantes e as polêmicas advindas das acusações. Com isso o espectador é presenteado com um filme que transborda tensão, com suspense na dose certa e repleto de emoções que se manifestam à flor da pele – o registro de um erro judiciário que parece, cada vez mais vital, nos dias obscuros que o mundo vem atravessando.

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