segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O Farol



O sombrio e introspectivo universo da solidão

Crença fielmente adotada por marinheiros romanos e gregos - uma antiga superstição condena à má sorte aqueles que matam aves marinhas que, por sua vez, incorporam as almas de marinheiros mortos.

Com base nesse argumento, Robert Eggers concebe o seu segundo longa, “O Farol” – a poderosa, porém, cansativa história de um antigo faroleiro (Willam Dafoe) e de seu mais novo aprendiz (Robert Pattinson). Ambos vivem uma rotina de trabalho diário na costa da Nova Inglaterra.  Em meio ao isolamento, segredos e visões míticas tomam conta de suas mentes até apodrecerem cobertas de fezes e lama – situações repugnantes e irritantes capazes de incomodar o menos sensível dentre os espectadores que ousam explorar o sombrio e introspectivo universo da solidão e a carência de comunicação interpessoal contida no terror existencial do longa em preto e branco.


“O Farol” atinge a meta definida por Edders, graças ao desempenho dos protagonistas que souberam assimilar a aura de pavor saturado por exageros e contrastes entre claros e escuros, que dificultam a assimilação da história desenhada pelo diretor, que meandra por entre dor, raiva, sexo, ódio, carinho e desespero. Apesar da considerável quantidade de absurdos presentes, o filme cativa o espectador mais pelo seu teor artístico e pela fragilidade dos estados mentais de seus protagonistas, fazendo com que a espera pelo facho de luz do farol travestido de uma, possivelmente inatingível, tábua da salvação, conduza alguns presentes à sala de projeção que, porventura, se encontre à deriva.

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